Vida e Saúde
Resfriado tirou seu apetite? Refeição pode fortalecer imunidade por algumas horas, aponta estudo
Pesquisa publicada na Nature indica que alimentação recente melhora resposta de linfócitos T por horas e pode abrir caminho para avanços em imunoterapia contra câncer e infecções
Sua avó, provavelmente, estava certa: alimentar-se bem pode ser uma excelente atitude quando você está doente . Um estudo publicado nesta quarta-feira na revista científica Nature revela que ingerir uma refeição cria um estado metabólico temporariamente capaz de aumentar a eficiência das células T, componentes essenciais do sistema imunológico responsáveis por combater vírus, bactérias e até tumores.
Segundo pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, células T coletadas de pessoas após a alimentação tiveram vantagem metabólica e responderam de forma mais robusta quando permitidas, em comparação com células retiradas em jejum. O efeito foi observado tanto em humanos quanto em experimentos com camundongos.
Para avaliar o impacto nas pessoas, a equipe analisou amostras de sangue de voluntários saudáveis antes do café da manhã e cerca de seis horas depois da refeição. Após comer, os linfócitos T demonstraram maior preparo energético, condição considerada essencial para iniciar respostas imunes rápidas caso o organismo encontre uma infecção.
Nos testes com animais, parte dessa vantagem funcional ocorre por até sete dias após a alimentação. Os cientistas identificaram que o mecanismo foi impulsionado por gorduras circulantes no sangue após a refeição, transportadas por partículas chamadas quilomícrons, que poderiam ser usadas diretamente pelas células de defesa.
De acordo com a análise, não ocorreram grandes mudanças genéticas nas células. O ganho de desempenho parece depender do aumento na produção de proteínas. Quando esse processo foi bloqueado, o benefício desapareceu.
Os autores afirmam que a descoberta pode ter implicações futuras para terapias baseadas em células T, como tratamentos oncológicos do tipo CAR-T, além de contribuir para a compreensão de como hábitos alimentares influenciam a resistência do organismo a doenças.
Especialistas ouvidos pela Scientific American enfatizaram, porém, que os resultados não significam que comer mais fortalece automaticamente a imunidade . O estudo mostra um efeito agudo e temporário do metabolismo após refeições, ainda distante de recomendações clínicas definitivas.
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