Vida e Saúde
Falar sozinho faz bem: ciência explica os benefícios da ‘fala autodirigida’
Estudos comprovam: falar em voz alta melhora o foco, agiliza a busca visual e ajuda a controlar a ansiedade.
Falar sozinho não é sinal de loucura — muito pelo contrário! Pesquisas publicadas em revistas científicas internacionais comprovam que esse hábito pode aprimorar o foco em tarefas complexas, acelerar a busca por objetos perdidos e ainda contribuir para o controle da ansiedade em situações de pressão.
Fala autodirigida impulsiona a busca visual
Um estudo americano, divulgado na Revista Trimestral de Psicologia Experimental, revelou que a chamada fala autodirigida — termo técnico para quando falamos conosco — potencializa a percepção durante buscas visuais. Por exemplo, ao procurar chaves ou carteira antes de sair de casa, repetir o nome do objeto em voz alta pode agilizar o processo, especialmente quando o item é familiar e fácil de imaginar. Por outro lado, esse efeito pode ser reduzido quando o objeto é incomum ou pouco típico.
Foco e desempenho em tarefas complexas
Falar sozinho também se mostra eficiente na manutenção do foco e na precisão, sobretudo em tarefas complexas. Uma pesquisa da Universidade de Bangor, no Reino Unido, publicada na revista Acta Psychologica, identificou que pessoas que leem instruções em voz alta respondem até 132 milésimos de segundo mais rápido do que aquelas que permanecem em silêncio durante a leitura. Por outro lado, repetir sons irrelevantes ou cantarolar pode prejudicar o desempenho, levando a mais erros e atrasos. A leitura silenciosa, segundo o estudo, não oferece tantos benefícios quanto a fala em voz alta.
O efeito positivo é mais evidente em atividades repetitivas e cansativas, pois a fala autodirigida ajuda a manter a sequência e evitar distrações. Se você precisa executar várias tarefas ao mesmo tempo — como seguir uma receita enquanto cozinha —, experimente ler as instruções em voz alta. Não é necessário falar alto: basta sussurrar para si mesmo para obter resultados melhores.
Usar “você” ao falar consigo mesmo reduz a ansiedade
Outra descoberta interessante é que referir-se a si mesmo pelo nome ou pelo pronome “você” pode ajudar a controlar a ansiedade. Pesquisadores americanos observaram que essa estratégia cria um distanciamento saudável em relação ao problema, reduzindo sentimentos de vergonha após situações difíceis, como uma apresentação que não saiu como o esperado. Pensar sobre os desafios usando “você” faz com que o obstáculo pareça mais superável.
Portanto, se precisar encarar uma situação que cause nervosismo — como uma entrevista de emprego ou uma conversa delicada —, tente se preparar mentalmente chamando-se pelo nome ou usando “você”. Essa simples mudança pode tornar a experiência menos ameaçadora e mais motivadora.
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