Vida e Saúde
Maior estudo sobre psicodélicos revela como substâncias reorganizam o cérebro
Pesquisa mostra que drogas psicodélicas ampliam a comunicação entre pensamento e sentidos
Um estudo publicado na prestigiada revista científica Nature Medicine traz novas evidências sobre como o cérebro humano responde a diferentes drogas psicodélicas. Segundo a pesquisa, considerada a maior já realizada sobre o tema, essas substâncias alteram a maneira como importantes redes cerebrais se conectam — incluindo áreas ligadas ao pensamento de alto nível, visão e movimento — e diferentes psicodélicos podem compartilhar padrões comuns de efeitos cerebrais.
As drogas psicodélicas vêm sendo investigadas como possíveis tratamentos para diversos transtornos mentais, como depressão e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). No entanto, os mecanismos cerebrais responsáveis por seus efeitos ainda não eram totalmente compreendidos.
Estudos anteriores de neuroimagem, realizados com pequenos grupos, apresentaram resultados inconsistentes, dificultando a identificação de efeitos comuns entre diferentes substâncias e pesquisas. Assim, a compreensão sobre como os psicodélicos influenciam a conectividade funcional do cérebro — ou seja, como atividades em diferentes regiões cerebrais oscilam juntas ao longo do tempo — permanecia limitada até agora.
Cientistas da Universidade da Califórnia, em São Francisco, integraram 11 conjuntos independentes de dados de neuroimagem, envolvendo psilocibina (composto presente nos cogumelos mágicos), LSD, mescalina, DMT (N,N-dimetiltriptamina) e ayahuasca (bebida que contém DMT). A análise reuniu 267 participantes em mais de 500 sessões de escaneamento cerebral. Entre as diversas substâncias e centros de pesquisa, a descoberta mais consistente foi que, após o uso dos psicodélicos, a conectividade entre redes corticais associadas ao pensamento de alto nível (modo padrão e frontoparietais) e aquelas ligadas à visão (redes visuais) e ao tato (redes somatomotoras) se tornou mais intensa.
Enquanto estudos anteriores sugeriam que redes cerebrais individuais poderiam se “desintegrar” sob efeito dos psicodélicos, tais efeitos mostraram-se inconsistentes e restritos a alguns casos. Os autores também identificaram alterações na conectividade entre regiões subcorticais, como o núcleo caudado, putâmen e cerebelo, áreas que coordenam percepção e ação.
Esses achados reforçam a hipótese de que os psicodélicos relaxam o controle cerebral de cima para baixo, permitindo que a atividade flua de forma mais livre. O estudo oferece um panorama detalhado, indicando que esses efeitos ocorrem em padrões específicos de redes e regiões cerebrais.
As descobertas representam um recurso valioso para pesquisadores interessados em compreender como os psicodélicos atuam no cérebro e de que modo esses efeitos podem ser aplicados em intervenções clínicas. O trabalho também aponta para um padrão comum de atividade cerebral entre diferentes drogas psicodélicas, trazendo uma visão mais clara sobre como essas substâncias remodelam a organização cerebral em larga escala.
Os autores ressaltam a importância de estudos futuros que comparem diretamente diferentes psicodélicos, utilizando métodos padronizados e grupos maiores, para construir um mapa mais robusto e confiável dos efeitos dessas substâncias no cérebro.
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