Vida e Saúde

Cigarro eletrônico pode causar câncer, apontam novas evidências científicas

Revisão internacional revela indícios de danos celulares ligados a tumores; especialistas ressaltam ausência de dados de longo prazo

Agência O Globo - 31/03/2026
Cigarro eletrônico pode causar câncer, apontam novas evidências científicas
VAPE - Foto: Reprodução / Agência Brasil

Um novo estudo internacional reacende o alerta sobre os riscos do cigarro eletrônico , indicando que o uso de vapes provavelmente está associado ao desenvolvimento de câncer, principalmente nos pulmões e na cavidade oral. Publicada na revista científica Carcinogenesis, a análise destaca impactos preocupantes para a saúde pública, ainda que faltem dados de acompanhamento a longo prazo.

A revisão foi realizada por pesquisadores da Universidade de New South Wales, em Sydney, na Austrália, e avaliou evidências acumuladas entre 2017 e 2025. Foram considerados estudos laboratoriais, testes em animais e relatos clínicos em humanos. Os resultados sugerem que o uso de cigarros eletrônicos está relacionado a alterações biológicas consideradas pré-cancerígenas, como danos ao DNA, inflamação e estresse oxidativo.

De acordo com os autores, essas alterações são conhecidas por favorecer o surgimento de tumores, embora, neste momento, não seja possível estimar com precisão quantas pessoas podem desenvolver câncer devido ao vape.

— Há evidências claras de que tecidos da boca e dos pulmões são alterados pela exposição ao vapor — afirmam os pesquisadores, ressaltando que o risco não deve ser subestimado.

Casos e testes reforçam suspeita

A revisão também traz relatos de casos de câncer oral em pessoas que utilizavam apenas cigarro eletrônico e nunca fumaram tabaco convencional. Paralelamente, experimentos com animais revelaram maior incidência de tumores pulmonares em camundongos expostos ao vapor.

Embora os resultados em animais não possam ser automaticamente aplicados a humanos, os cientistas avaliaram o conjunto de evidências suficiente para disparar um sinal de alerta.

Além disso, estudos anteriores já sugeriram que o uso combinado de cigarro tradicional e vape pode aumentar ainda mais o risco de câncer de pulmão, trazendo um efeito potencialmente agravado.

Falta de dados definitivos ainda gera controvérsia

Apesar dos novos achados, o consenso científico ainda não é definitivo. Como os cigarros eletrônicos são relativamente recentes — popularizados nas últimas duas décadas —, ainda não existem estudos de longo prazo capazes de medir diretamente a incidência de câncer em usuários.

Algumas revisões apontam que, até o momento, não há evidências conclusivas de aumento de câncer em pessoas que nunca fumaram e utilizam apenas vape.

As organizações de saúde também destacam que, embora não sejam isentos de riscos, os cigarros eletrônicos tendem a expor o usuário a menos substâncias tóxicas que o cigarro tradicional — o que pode torná-los, em certos casos, uma alternativa menos prejudicial para as conversas que procuram parar.

Alerta para jovens e não fumantes

Especialistas ressaltam que o principal risco reside na popularização do vape entre pessoas que nunca fumaram, especialmente adolescentes. O produto pode introduzir uma nova população ao consumo de nicotina e à exposição a substâncias químicas cancerígenas.

— Esperar décadas por uma prova definitiva pode repetir o erro histórico com o cigarro — alertaram os pesquisadores.

Diante das incertezas, as autoridades de saúde recomendam tratar o cigarro eletrônico como um produto de risco, especialmente fora de estratégias controladas para cessação do tabagismo.