Vida e Saúde

Com mais de 1,6 mil casos e cinco mortes, cidade no MS vive surto de chikungunya e mobiliza autoridades de saúde

Avanço da doença em Dourados, no Mato Grosso do Sul, leva município, estado e Ministério da Saúde a intensificarem medidas de controle e prevenção

Agência O Globo - 30/03/2026
Com mais de 1,6 mil casos e cinco mortes, cidade no MS vive surto de chikungunya e mobiliza autoridades de saúde
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O município de Dourados, no Mato Grosso do Sul, enfrentou um surto de que já registra 1.638 casos prováveis ​​em 2026, dos quais 780 foram confirmados, e uma taxa de positividade de 78,15%, ou seja, a cada 10 testes para a doença, quase 8 são positivos na cidade. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Dourados, há ainda 37 pessoas internadas e 5 mortes, de indivíduos com idades entre um mês e 73 anos.

Colunista do GLOBO explica:

Descubra se os seus estão fracos:

A unidade de saúde mais atingida é a da aldeia Bororó, com 147 casos confirmados. Além disso, todas as cinco vítimas fatais foram registradas na Reserva Indígena. O cenário levou à mobilização das autoridades de saúde municipais, estaduais e federais, que enviaram reforços à cidade para o combate ao Aedes aegypti, mosquito que transmite dengue, Zika e chikungunya.

No Brasil, segundo o Painel de Monitoramento das Arboviroses do Ministério da Saúde, foram registrados 20.615 casos prováveis ​​de chikungunya até o fim de março, além de 15 mortes e outros 15 óbitos em investigação. No mesmo período do ano passado, o país já notificou quase 52 mil infecções. No Mato Grosso do Sul, porém, a tendência é crescente: o número subiu de cerca de 1,8 mil em 2025 para 3.237 neste ano, grande parte em Dourados.

"Estamos recorrendo a todos os meios disponíveis para vencer essa guerra contra o mosquito transmissor de doença dessa, mas é importante que cada morador também faça a sua parte acabando com todos os pontos de parada de água no interior das residências e nas quintas. A quantidade de lixo depositado em terrenos baldios, calçadas e até mesmo em quintais é impressionante, ou seja, o mosquito encontra esses locais o ambiente ideal para se reproduzir e espalhar a doença", disse o prefeito Marçal Filho, em nota.

Não é caminhada nem musculação:

O Ministério da Saúde liberou, na última sexta-feira, um apoio emergencial de R$ 900 mil para ações na cidade. O valor será transferido em parcela única do Fundo Nacional de Saúde para o município, e os recursos podem ser utilizados para intensificar estratégias como vigilância em saúde, controle do mosquito, qualificação da assistência e apoio às equipes que atuam diretamente no atendimento à população.

Também na última sexta-feira, teve início em Dourados a implantação das chamadas Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDLs), uma nova técnica desenvolvida pela Fiocruz que consiste em armadilhas de plástico com água para atrair os mosquitos, mas que estão impregnadas com larvicida. Dessa forma, ao entrar no recipiente, o inserto entra em contato com a substância e se espalha para outros criadouros, diminuindo o número de larvas e, consequentemente, dos mosquitos.

Estudos da Fiocruz indicam que a ferramenta pode reduzir em mais de 66% a população adulta do Aedes. Inicialmente, Dourados recebeu 300 armadilhas, com previsão de chegar a mil unidades até a próxima semana. Até agora, 150 já foram instalados no bairro Jóquei Clube e em regiões adjacentes, como Santa Felicidade e Santa Fé. Na sequência, as equipes atuarão nos bairros Novo Horizonte/Parque do Lago e Piratininga.

Entenda o risco:

No entanto, a coordenadora-geral de Vigilância de Arboviroses da pasta da Saúde, Lívia Vinhal, reforça que, embora as estações sejam “uma ferramenta importante”, “a eliminação de criadosuros depende da ação conjunta entre poder público e população”.

Outra medida realizada pela Força Nacional do SUS (FN-SUS) e pela Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) é a busca ativa em territórios indígenas de Dourados, que estão entre os mais afetados pela chikungunya. Segundo o diretor da FN-SUS, Rodrigo Stabeli, por serem territórios extensos, “não basta esperar que o paciente procure o serviço”. “A atuação integrada das equipes é essencial para alcançar quem mais precisa e evitar a evolução para casos graves”, afirmou em nota.

O Ministério da Saúde também instalou, na última quarta-feira, uma Sala de Situação para coordenar as ações federais relacionadas ao avanço da arbovirose em Dourados. Posteriormente, a ideia é que uma estrutura seja levada à cidade, com atuação integrada entre áreas técnicas, gestores estaduais e municipais e outros órgãos públicos.

Entenda:

Em caráter emergencial, o ministério autorizou ainda a contratação de 20 Agentes de Combate a Endemias (ACE), em parceria com a AgSUS, para ampliar a força de trabalho na cidade. A proposta ocorrerá por análise curricular em regime CLT, com a expectativa de que, já nas próximas semanas, os agentes estejam presentes.

Já a Secretaria Estadual de Saúde do Mato Grosso do Sul (SES-MS) disponibilizou 15 leitos exclusivos para o atendimento de pacientes com chikungunya no Hospital Regional de Dourados (HRD) a partir da última terça-feira, 10 deles para adultos e 5 pediátricos. De acordo com a pasta, a medida tem caráter transitório e permanecerá vigente enquanto durar o aumento da demanda por atendimentos relacionados à doença.

Segundo o secretário municipal de Saúde de Dourados, Márcio Figueiredo, após o decreto de emergência emitido pela Prefeitura, o município também preparou a contratação de temporários de agentes de endemias e de profissionais da saúde para reforçar o atendimento, tanto na área urbana quanto na Reserva Indígena. Para ele, é esperado um aumento de casos da doença pelo menos nas próximas oito semanas.

"Estamos em uma verdadeira guerra contra o mosquito. É fundamental que todos façam sua parte e eliminem qualquer objeto que possa acumular água", disse.