Vida e Saúde

BA.3.2: Conheça a nova variante da Covid, já detectada em 23 países

Cepa apelidada de “Cicada” chama atenção por alto número de mutações, mas não há evidências de maior gravidade até o momento

Agência O Globo - 30/03/2026
BA.3.2: Conheça a nova variante da Covid, já detectada em 23 países

Uma tem se espalhado silenciosamente pelo mundo e já foi bloqueada em pelo menos 23 países. Embora apresente um número elevado de mutações — e maior escape de anticorpos do que as cepas predominantes hoje no mundo e alvos das vacinas — especialistas afirmam que não há comprometimentos, até agora imunológicos, de que a cepa causa doença mais grave ou maior taxa de mortalidade.

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Apelidada de “Cicada”, em referência ao inseto conhecido por emergir em grande número após longos períodos de períodos, uma variante foi identificada pela primeira vez na África do Sul, em novembro de 2024. Desde então, passou uma circular globalmente e vem sendo monitorada pelas autoridades de saúde.

Entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, as detecções semanais da BA.3.2 aumentaram e atingiram aproximadamente 30% das sequências relacionadas em três países europeus: Dinamarca, Alemanha e Holanda. Até ao último dia 11 de fevereiro, a cepa já chegou a 23 países, incluindo Austrália, Reino Unido, China e Estados Unidos, segundo uma análise dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA. O Brasil ainda não registrou a linhagem.

No país norte-americano, a cepa foi detectada em amostras de swab nasal de quatro viajantes vindos do Japão, Quênia, Holanda e Reino Unido, em três amostras de esgoto de aeronaves, em amostras clínicas de cinco pacientes, dois deles internados, e em 132 amostras de esgoto de 25 estados.

A BA.3.2 em detalhes

O principal ponto de atenção é o alto grau de mutação. A BA.3.2 possui entre 70 e 75 alterações na proteína spike — estrutura do vírus responsável por se ligar às células humanas — número significativamente maior do que o apresentado em variantes recentes. Essa característica levanta preocupações sobre uma capacidade possível de escapar parcialmente da imunidade adquirida por vacinas ou infecções anteriores.

— Há muitas mutações nessa variante, o que gera preocupação de que a vacina atual não seja uma correspondência ideal — afirmou Brandon Dionne, professor associado de farmácia e ciências de sistemas de saúde da Northeastern University.

Apesar disso, estudos iniciais indicam que as vacinas atualizadas contra a Covid-19 ainda oferecem algum nível de proteção, embora com resposta inferior em comparação com as variantes mais próximas, como a da linhagem JN.1, o alvo dos imunizantes atuais.

sintomas

Os sintomas associados a BA.3.2 são semelhantes a outras variantes recentes e incluem dor de garganta, tosse, congestão nasal, fadiga, dor de cabeça e febre. Em alguns casos, também podem ocorrer sintomas gastrointestinais, como náusea e diarreia.

Embora a BA.3.2 possa ter maior capacidade de sobrecarga devido a mutações, o risco de sobrecarga nos sistemas de saúde é considerado baixo neste momento. Ainda assim, os especialistas alertam que a evolução do vírus segue sendo um fator de preocupação contínua.

Riscos da variante

De acordo com a última avaliação de risco da OMS, feita em dezembro, os dados até agora indicam que a BA.3.2 de fato apresenta um “escape substancial de anticorpos em comparação com variantes anteriores”. Ainda assim, eles não apontaram que a cepa teve uma vantagem de crescimento em relação às outras linhagens. Dessa forma, não é certo que ela continue crescendo e substitua outras como a cepa mais prevalente.

Além disso, “não há estudos clínicos ou epidemiológicos publicados que BA.3.2 esteja associado à maior gravidade da doença em comparação com outros descendentes (da Ômicron) em circulação”, diz a análise da OMS. “Até o momento, não há sinais de aumento de hospitalizações, admissões em UTI ou mortes atribuíveis à BA.3.2 nos locais onde ela foi bloqueada”, continua.

A organização conclui que, com base nas evidências atuais, a BA.3.2 “não parece representar riscos adicionais à saúde pública além daqueles associados a outras linhagens descendentes da Ômicron atualmente em circulação, embora seu perfil acentuado de escape imune justifique monitoramento virológico e epidemiológico contínuo”. Por enquanto, a principal medida para se proteger é manter a vacinação em dia.

Quem pode se vacinar contra a Covid-19?

Desde 2024, a vacinação contra a Covid-19 faz parte do calendário nacional de gestantes, idosos e crianças no Brasil. Além disso, determinados grupos prioritários continuam a ter indicação de reforço periódico. Para os demais, não há mais orientação para novas doses.

De forma permanente, uma dose é recomendada para gestantes a cada gravidez e uma dose a cada seis meses para idosos com 60 anos ou mais, independentemente da quantidade de vacinas previamente recebidas por indivíduo.

Em relação às crianças, o esquema primário deve ser feito entre 6 meses e 5 anos. Ele pode envolver duas doses, com quatro semanas de intervalo entre elas, no caso da vacina da Moderna, ou três doses, com a segunda aplicada quatro meses depois da primeira, e a terceira oito meses após a segunda, no caso da Pfizer. Não há indicação de reforço na faixa etária.

Já para os grupos chamados de prioritários, que não têm calendários de rotina específicos no Programa Nacional de Imunização (PNI), os reforços continuam a ser oferecidos no Brasil no esquema de “vacinação especial”. No caso dos imunocomprometidos, é indicada uma dose a cada seis meses. Para os demais, o reforço é anual.

São eles: pessoas que vivem em instituições de longa permanência; indígenas; ribeirinhos; quilombolas; puérperas; trabalhadores da saúde; pessoas com deficiência permanente; pessoas com comorbidades; pessoas privadas de liberdade; funcionários do sistema de privação de liberdade; adolescentes e jovens cumprindo medidas socioeducativas; e pessoas em situação de rua.

Para brasileiros que não sejam gestantes, idosos ou façam parte de um dos grupos prioritários, não há mais recomendação para vacinação.