Vida e Saúde
'Superbactéria' transmitida por sexo tem aumento de casos e preocupa autoridades no Reino Unido
País registra alta de 25% nas infecções por Shigella em dois anos, com alerta para resistência a antibióticos e risco de contaminação alimentar.
A Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (UKHSA, na sigla em inglês) emitiu um alerta urgente diante do aumento significativo de casos de infecção intestinal causada pela bactéria Shigella . Altamente contagiosa, a doença pode ser transmitida por contato sexual e preocupa pela resistência crescente às antibióticos.
Dados oficiais apontam que, em 2025, foram registrados 2.560 casos de infecção, contra 2.318 em 2024 e 2.052 em 2022, representando um aumento de 25% em dois anos. Os sintomas incluem diarreia, cólicas abdominais e febre, podendo evoluir para quadros graves que desativam a hospitalização.
O crescimento dos casos reforça a importância da testagem para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Todas as regiões da Inglaterra registaram pelo menos um caso, com maior concentração em Londres (54%), seguida pelo Vale do Tâmisa Norte (6%) e pelas regiões de Surrey e Sussex (6%).
O tratamento com antibióticos é indicado para pacientes com sintomas intensos ou imunodeficiência. No entanto, 2025 marcou o maior número já registado de casos resistentes a antibióticos. Entre as amostras comprovadas, 86% da Shigella sonnei e 94% da Shigella flexneri apresentaram resistência, sendo que mais da metade dos casos de Shigella sonnei mostraram resistência extensa a medicamentos.
Katy Sinka, chefe da seção de ISTs do UKHSA, alertou: “O aumento dos casos de Shigella transmitidos sexualmente é preocupante, mas o risco pode ser limitado com boa higiene durante e após o sexo, além do uso de preservativos — ajudando a proteger tanto você quanto seus parceiros”.
Ela recomenda que homens diagnosticados com Shigella também realizem testes para outras ISTs, incluindo HIV, devido à possibilidade de exposição a múltiplas infecções.
As orientações manter-se hidratado, relaxar e evitar relações sexuais até uma semana após o desaparecimento dos sintomas. Também é importante evitar spas, piscinas, banheiras de hidromassagem, compartilhar toalhas e preparar alimentos para outras pessoas durante o período de recuperação.
A infecção é causada por bactérias presentes nas fezes e frequentemente transmitidas em práticas sexuais com contato anal, mas também pode ser transmitida por mãos não lavadas, superfícies contaminadas e alimentos infectados.
As autoridades ressaltam que o risco não é limitado à transmissão sexual, já que uma bactéria pode ser disseminada por alimentos — especialmente quando manipuladores ou cuidadores estão trabalhando nos mesmos pacientes, o que já provocou surtos em diferentes partes do mundo.
Os sintomas geralmente surgem até quatro dias após a exposição e podem ser confundidos com intoxicação alimentar.
No início deste ano, um surto de Shigella em Cabo Verde resultou na morte de vários britânicos e infectou centenas de pessoas. Investigadores do UKHSA informaram que, dos 118 casos registados desde 1º de outubro e ligados a viagens internacionais, 112 (95%) estavam associados ao arquipélago, principalmente nas regiões de Santa Maria e Boa Vista.
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