Vida e Saúde

Homens têm aumento no risco de depressão um ano após nascimento de filhos, aponta estudo

Pesquisa sueca investigou padrões de incidência de transtornos psiquiátricos antes, durante e após a gravidez das parceiras

Agência O Globo - 25/03/2026
Homens têm aumento no risco de depressão um ano após nascimento de filhos, aponta estudo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A depressão pós-parto é uma realidade para muitas mulheres no Brasil. Segundo pesquisa da Fiocruz, cerca de 25% das mães brasileiras — uma em cada quatro — apresentam sintomas depressivos entre 6 e 18 meses após o nascimento do bebê.

Mas e os homens? Uma pesquisa sueca, publicada na última segunda-feira (23), revela que os homens também podem desenvolver transtornos psiquiátricos pouco tempo após o nascimento dos filhos.

O estudo acompanhou mais de um milhão de pais suecos, analisando 1.915.722 nascimentos registrados na Suécia entre 2003 e 2021. Os pesquisadores calcularam a taxa de incidência de novos diagnósticos psiquiátricos no ano anterior à concepção, durante a gravidez e no primeiro ano após o parto.

Foram considerados transtornos como depressão, ansiedade, transtorno relacionado ao estresse, uso de álcool, tabaco e drogas, transtorno bipolar, psicose e TDAH.

Os dados demonstraram que a incidência de qualquer transtorno psiquiátrico foi menor durante a gravidez e logo após o parto, em comparação com as semanas que antecederam a concepção.

No entanto, ao final do primeiro ano de vida do filho, houve um aumento superior a 30% nos casos de depressão e transtornos relacionados ao estresse entre os pais. Aqueles com menor escolaridade serão cobrados taxas de incidência ainda mais elevadas.

O estudo apresenta duas hipóteses para a redução dos transtornos durante a gravidez: a primeira sugere que a transição para a paternidade pode proporcionar senso de realização, fortalecimento do vínculo com a parceria e motivação para mudanças positivas no estilo de vida. Já a segunda hipótese aponta que muitos pais tendem a minimizar ou internalizar seus sintomas para não tirar o foco das necessidades da mãe.