Vida e Saúde
Cientistas descobrem que hormônio utilizado para tratar osteoporose pode ser chave para fim de dor crônica
Pesquisa realizada pela Universidade John Hopkins utilizando remédios indicados para osteoporose conseguiu ‘afastar’ os nervos da dor em ratos
Todo mundo sente, já sentiu ou — um aviso aos mais jovens — vai sentir uma dor chata, por vezes insuportável. Ela é a segunda condição crônica mais prevalente no país, afetando até 14,7% dos brasileiros: a dor na lombar (ou nas costas, como preferir).
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Um estudo recente, realizado pela Universidade de John Hopkins, nos EUA, mostrou que um hormônio ósseo amplamente usado pode ser uma “cura” para essas dores.
A substância age afastando fibras nervosas, que causam dor, da região lombar.
Pesquisadores testaram o hormônio PTH em três grupos de camundongos: envelhecidos naturalmente, camundongos submetidos a cirurgia de instabilidade lombar e camundongos transgênicos que desenvolveram degeneração por causas genéticas.
Nos três modelos, o hormônio paratireoidiano melhorou a estrutura óssea e prejudica a dor: os cientistas conseguiram ver um aumento no volume ósseo e redução da porosidade das placas terminais, responsáveis pela dor, além de notar mais resistência a dor em testes como tolerância à pressão e distância percorrida espontaneamente em roda.
O mecanismo responsável pela diminuição da dor lombar
A principal descoberta do estudo, para os pesquisadores, é o mecanismo que, partindo do uso do PTH, gera o que é chamado de “repulsão nervosa”. Os hormônios estimuladores de osteoblastos (células formadoras de osso) produzem uma proteína chamada Slit3, que exclui as fibras nervosas causadoras da dor.
A presença do Slit3 é fundamental: camundongos sem o gene nos osteoblastos não responderam ao PTH.
O PTH e seus análogos sintéticos (teriparatida e abaloparatida) já são aprovados para tratar a osteoporose. Estudos clínicos anteriores chegaram a relatar melhora da dor lombar em pacientes que fizeram uso das substâncias, mas os resultados não foram consistentes.
Agora, com essa nova pesquisa, os cientistas acreditam estar encontrando com um caminho para tratar mais eficientemente da dor lombar, embora compreendam as limitações de um estudo realizado exclusivamente em camundongos.
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