Vida e Saúde
Apenas 13% dos hospitais brasileiros adotam oficialmente ferramentas de IA, aponta pesquisa
Levantamento revela que 80% dos profissionais de saúde têm interesse em inteligência artificial
A inteligência artificial (IA) é uma das tecnologias que mais vem ganhando espaço em diferentes setores da sociedade. No entanto, na área da saúde, onde rapidez e eficiência são essenciais, a adoção ainda é tímida. Segundo levantamento do Instituto Opinion Box, em parceria com a empresa Rivio, realizado com profissionais do setor, apenas 13% dos hospitais brasileiros utilizam regularmente ferramentas de IA integradas aos seus processos.
Apesar do uso formal ser restrito, o interesse é elevado: 80% dos mais de 300 profissionais entrevistados, de todas as regiões do Brasil, manifestaram desejo de adotar soluções de IA.
Potencial de automação e eficiência
De acordo com Matheus Losi, Diretor de Tecnologia da Rivio, a automação pode aliviar tarefas repetitivas, como o registro de informações e a emissão de receitas durante consultas, permitindo que os médicos dediquem mais tempo ao atendimento dos pacientes. “Com a ajuda da inteligência artificial, o médico pode ter um sistema mais ágil e automatizado, focando mais no paciente”, explica Losi.
O estudo indica que as principais aplicações de IA nos hospitais concentram-se em atividades de linha de frente, como agendamento de consultas, monitoramento de indicadores, atendimento 24 horas para dúvidas e gestão de filas — práticas presentes em 47% das instituições. Por outro lado, apenas 32% utilizam tecnologia para fins de gestão hospitalar.
Uso ainda informal e entraves à adoção
Embora mais de 70% dos entrevistados relacionem algum uso de IA, a maioria dessas iniciativas ocorre de forma experimental, pontual e sem integração total aos processos institucionais. Ao menos 91% dos participantes afirmam que o hospital onde trabalha não adota oficialmente a IA; 47% dizem não utilizar nenhuma solução e 27% relatam uso apenas pontual.
"Hoje, o uso da IA nos hospitais brasileiros é bastante informal, principalmente por meio de ferramentas de chat para tirar dúvidas e auxiliar em tarefas específicas. No entanto, a integração total da tecnologia aos sistemas hospitalares poderia automatizar processos e agilizar o atendimento", destaca Losi.
Entre os principais obstáculos identificados pelos entrevistados estão a ausência de cultura organizacional (20%), desconhecimento das ferramentas (18%), falta de capacitação das equipes (15%) e o custo de implementação (12%).
“A tecnologia não substitui os profissionais de saúde, mas amplia sua capacidade de cuidar de pessoas. Esse entendimento ainda está em construção no setor”, conclui Losi.
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