Vida e Saúde
Exame que faz as células do câncer de próstata brilharem pode reduzir a necessidade de biópsias
Resultados do estudo foram apresentados no Congresso da Associação Europeia de Urologia
Um novo exame desenvolvido por pesquisadores europeus pode reduzir o número de exames inconclusivos e a necessidade de biópsias para detecção do câncer de próstata. Chamado PET/CT com PSMA, o método faz com que células cancerígenas da próstata, especialmente as mais agressivas, apareçam como pontos brilhantes nas imagens, facilitando sua identificação.
Como funciona o exame?
Segundo o pesquisador James Buteau, médico de medicina nuclear do Peter MacCallum Cancer Centre, na Austrália, "a tomografia por emissão de pósitrons (PET/CT) com PSMA faz com que as células do câncer de próstata se iluminem de maneira notável, principalmente em casos mais agressivos. É raro ver imagens tão nítidas e com potencial tão útil na prática clínica. Incorporar esse exame pode ajudar a enfrentar o desafio do sobrediagnóstico, que leva a tratamentos desnecessários ou mesmo prejudiciais para cânceres que jamais causariam danos".
Como foi feito o estudo?
Para avaliar a eficácia do exame, pesquisadores recrutaram pessoas com maior risco de câncer de próstata, como aquelas com forte histórico familiar, mas que apresentaram resultados normais na ressonância magnética. Esses participantes, que normalmente seriam submetidos à biópsia, foram divididos aleatoriamente entre biópsia padrão e exame PET/CT com PSMA.
O estudo PRIMARY2 revelou que a PET/CT com PSMA foi capaz de identificar homens sem câncer ou com tumores de baixo risco, que provavelmente nunca causariam danos. Assim, esses pacientes puderam evitar a biópsia.
Vantagens para os pacientes
Tradicionalmente, pessoas com suspeita de câncer de próstata realizam ressonância magnética para identificar áreas anormais. Se os resultados são suspeitos ou inconclusivos, é indicada a biópsia, um procedimento invasivo e potencialmente desconfortável.
Com o novo exame, apenas pacientes com resultado positivo na PET/CT com PSMA foram encaminhados para biópsia. Essa estratégia reduziu pela metade o número de biópsias necessárias, sem deixar de identificar nenhum caso de câncer maligno. Os resultados foram apresentados no Congresso da Associação Europeia de Urologia, em Londres.
Além disso, quando a biópsia foi necessária, o exame permitiu direcionar o procedimento às áreas suspeitas, aumentando a precisão e minimizando complicações.
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