Vida e Saúde
Conviver com pessoas negativas pode acelerar o envelhecimento, aponta pesquisa
Estudo americano revela que laços sociais negativos aumentam risco de envelhecimento precoce, inflamações e outras doenças.
Passar tempo demais com aquele amigo ou parente difícil pode estar acelerando seu envelhecimento, aponta um estudo publicado em 18 de fevereiro na revista científica PNAS .
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Uma pesquisa, conduzida nos Estados Unidos com mais de dois mil participantes entre 18 e 103 anos, demonstrou que cada pessoa considerada um “hassler” — termo que pode ser traduzido como “incomodador” — pode acelerar o envelhecimento físico em até 1,5%. Além disso, a idade biológica dessas pessoas é, em média, nove meses maior do que o esperado para sua idade cronológica. Embora o efeito isolado seja modesto, ele tende a se acumular ao longo dos anos.
Os pesquisadores compararam a diferença de envelhecimento entre fumantes e não fumantes e observaram que manter relações negativas pode causar até 17% dos efeitos negativos do tabagismo.
O estudo define “hasslers” como pais ou amigos que frequentemente causam problemas ou dificultam a vida, de forma recorrente. Dentro desse conceito, foram identificadas três subcategorias: parceiros, parentes e não parentes.
Segundo os cientistas, os “hasslers” que mais prejudicam a saúde são os pais — como irmãos, pais e primos. Já as parcerias são as que menos afetam os marcadores biológicos consolidados. Isso ocorre porque os laços familiares tendem a ser mais duradouros e difíceis de romper, enquanto, entre parcerias, “a negatividade pode ser atenuada pela mistura ambivalente de apoio e obrigações dentro de relacionamentos íntimos”, diz a publicação.
Os pesquisadores focaram no eixo hipotálamo-pituitário-adrenal, responsável pelas reações ao estresse, humor e emoções. Interações sociais negativas podem sobrecarregar esse sistema, levando ao envelhecimento biológico acelerado por meio de pressão crônica, ansiedade, depressão e liberação de proteínas inflamatórias.
Os danos não param por aí: os cientistas também observaram que conviver com muitos “aborrecidos” pode favorecer a obesidade e piorar a saúde geral. “Esses resultados ressaltam o impacto amplo e multifacetado dos fatores de estresse relacionais nas trajetórias de saúde”, conclui.
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