Vida e Saúde
Filhote de macaco rejeitado por animais mais velhos emociona redes sociais; entenda o caso
Punch, macaquinho de sete meses, nasceu no zoológico de Ichikawa, no Japão, e foi rejeitado pela mãe logo após o nascimento
Nos últimos dias, vídeos de um filhote de macaco tentando, sem sucesso, interagir com outros primatas em um zoológico no Japão sensibilizaram internautas ao redor do mundo. O macaquinho, chamado Punch, de apenas sete meses, conquistou uma legião de fãs após imagens viralizarem nas redes sociais mostrando-o sendo isolado e rejeitado por animais mais velhos.
Punch nasceu no zoológico de Ichikawa no ano passado e, logo após o nascimento, foi rejeitado pela própria mãe. Para amenizar a solidão, os tratadores ofereceram a ele um orangotango de pelúcia, com quem Punch rapidamente criou um vínculo afetivo. As cenas que circularam globalmente mostram o filhote agarrado ao brinquedo, símbolo de conforto e proteção em meio ao isolamento.
Apesar do início difícil, a história de Punch ganhou um desfecho positivo. Novos registros mostram que o filhote conseguiu se aproximar de outros animais do grupo e agora recebe cuidados de um macaco mais velho. Mas, afinal, por que os demais primatas rejeitaram o filhote?
Para entender o comportamento, é preciso voltar à infância de Punch e ao abandono materno. De acordo com a professora Jo Setchell, primatóloga da Universidade de Durham, o abandono materno é "muito incomum" entre macacos e pode ter comprometido o desenvolvimento social do filhote.
"Um filhote normalmente teria a proteção e o apoio da mãe, aprendendo com ela as respostas corretas. Punch, sem esse suporte, pode não ter aprendido a maneira adequada de se comportar", explicou Setchell ao Daily Mail.
Embora raro, o abandono materno pode ocorrer quando a mãe é jovem e inexperiente. "Li que Punch era o primeiro filhote da mãe, e nesse caso ela pode não ter tido experiência suficiente. Já observei mães primatas inexperientes segurando seus filhotes de forma inadequada ou ficando muito estressadas com os movimentos do bebê. A transição da gestação para ter um bebê agarrado à barriga o tempo todo, pela primeira vez, é uma mudança significativa", detalhou Setchell.
O histórico de criação da mãe de Punch é pouco conhecido, o que pode ter contribuído para o abandono. "O abandono é mais provável se a mãe também teve uma criação atípica, como ter sido separada da própria mãe muito jovem ou ter passado por situações estressantes na infância, especialmente em cativeiro", afirmou Emily Bethell, professora associada de Cognição e Bem-Estar de Primatas na Universidade Liverpool John Moores.
Quanto à rejeição dos outros animais, especialistas apontam a hierarquia de dominância como fator determinante. "Os outros macacos estavam reafirmando sua posição de dominância", explicou Setchell. No entanto, após perceberem a ausência materna, os integrantes do grupo passaram a tentar ajudar Punch.
"Macacos são primatas altamente sociais e é comum o interesse por filhotes, incluindo o manuseio e transporte de bebês de outros membros do grupo", reforçou Bethell ao Daily Mail.
Os especialistas alertam que, apesar da comoção, macacos não são animais de estimação. "A atenção dada a filhotes fofos pode aumentar a demanda por macacos como pets e alimentar o comércio ilegal, causando sofrimento aos animais. Punch é adorável, mas sua história evidencia a importância do cuidado materno para a espécie", concluiu Setchell.
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