Vida e Saúde

Reações à arte podem ser influenciadas pelos genes, aponta estudo

Pesquisa revela que fatores genéticos explicam parte dos 'arrepios estéticos' diante de música, poesia ou pintura

Agência O Globo - 22/02/2026
Reações à arte podem ser influenciadas pelos genes, aponta estudo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Por que algumas pessoas sentem arrepios ao ouvir música, ler poesia ou contemplar uma obra de arte, enquanto outras não? Uma nova pesquisa indica que a resposta pode estar, em parte, em nossos genes.

Em um amplo estudo multigeracional realizado com moradores do norte da Holanda, pesquisadores do Instituto Max Planck de Psicolinguística (MPI) coletaram e analisaram dados de mais de 15.500 participantes com informações genéticas disponíveis. Publicado na revista PLOS Genetics, o estudo investigou os chamados "arrepios estéticos": aqueles momentos intensos de emoção, frequentemente acompanhados de calafrios, provocados por arte, música ou literatura.

Os arrepios estéticos são experiências de êxtase que conectam sensações subjetivas a respostas corporais observáveis. Por isso, têm sido cada vez mais utilizados como modelo para estudar as reações humanas à arte. Pesquisas anteriores já demonstraram que esses problemas ativam sistemas neurais semelhantes aos envolvidos no processamento de estímulos biologicamente relevantes. Além disso, diferenças individuais nessas respostas variam a variações mensuráveis ​​na fisiologia e na função cerebral.

Com base nessas evidências, o novo estudo que analisa dados genéticos para investigar se a variação no DNA pode explicar por que algumas pessoas são mais propensas a sentir essas arrepios.

Fatores familiares

Os pesquisadores identificaram que aproximadamente 30% da variação na experiência dos arrepios está relacionada a fatores familiares. Cerca de um quarto dessa influência familiar é atribuída a variantes genéticas comuns, evidenciando uma contribuição genética significativa para a sensibilidade emocional à arte.

Algumas dessas influências genéticas foram compartilhadas entre música, poesia e artes visuais, e associadas a traços de personalidade como a abertura à experiência e o envolvimento artístico em geral. Outros efeitos genéticos, porém, não foram compartilhados entre diferentes formas de arte, indicando que mecanismos biológicos diferentes podem influenciar a forma como as pessoas respondem à música, à poesia ou às artes visuais.

"Essas descobertas sugerem que a genética pode oferecer uma nova perspectiva para entender por que as pessoas experimentam o mundo sensorial de maneiras tão diferentes. No entanto, ainda há muito a ser esclarecido sobre como os fundamentos genéticos dessas experiências interagem com fatores ambientais e sociais", explica Giacomo Bignardi, principal autor do estudo.

Ao demonstrar que a genética tem papel importante na propensão a arrepios causados ​​pelas artes visuais, poesia e música, o estudo abre caminho para novas pesquisas sobre os fundamentos biológicos da experiência emocional — e sobre por que a arte toca algumas pessoas de maneira tão profunda.