Vida e Saúde
Anvisa monitora 65 mortes suspeitas após uso de canetas emagrecedoras; entenda
Casos não têm confirmação de relação com o medicamento e foram notificados como parte da vigilância feita pela agência sanitária com todos os remédios em circulação no país
O VigiMed, sistema da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) responsável por receber relatos de possíveis efeitos adversos de remédios em circulação no Brasil, registrou 65 óbitos suspeitos após o uso de medicamentos análogos de GLP-1, conhecidos como “canetas emagrecedoras”, entre dezembro de 2018 e dezembro de 2025.
A Anvisa enfatiza que esse monitoramento é padrão para qualquer medicamento aprovado no país e que os casos são considerados suspeitos, ou seja, não há confirmação de relação direta com o uso dos fármacos. Em nota, a agência destaca: “A relação de risco x benefício destes medicamentos segue sem alterações, considerando as indicações aprovadas.”
O levantamento da agência abrangeu os princípios ativos semaglutida (Ozempic, Wegovy), tirzepatida (Mounjaro), liraglutida (Saxenda, Victoza) e dulaglutida (Trulicity). Nos últimos sete anos, foram registradas 2.436 reações suspeitas, com diferentes níveis de gravidade. Apenas em 2023, o painel do VigiMed apontou 1.128 notificações — quase metade do total.
Entre os sintomas relatados, predominam os já conhecidos e descritos em bula, como náusea, vômitos, mal-estar, diarreia, constipação e pancreatite. Especificamente sobre a inflamação grave no pâncreas, foram 145 registros. Considerando também notificações de testes clínicos (fora do VigiMed), o número sobe para 225.
Com relação aos óbitos, foram 65 casos suspeitos de ligação com os medicamentos no período analisado, incluindo seis já divulgados anteriormente que podem estar associados à pancreatite.
A Anvisa esclarece que esses registros não são investigados individualmente. O processo envolve análise global das notificações, como parte do monitoramento de farmacovigilância, para avaliar se houve alteração no perfil de risco e benefício observado nos estudos clínicos.
“O valor das notificações como evidência está no conjunto de dados que, somados e analisados de forma global, podem indicar mudanças no perfil de segurança e eficácia de medicamentos (...) O sistema de notificações é uma das ferramentas que a Anvisa e demais agências utilizam para monitorar o desempenho de medicamentos na vida real, pós-mercado”, informa a agência.
A Anvisa ressalta ainda que o monitoramento depende da qualidade das informações enviadas e que há outras ferramentas para confirmar a segurança dos medicamentos em circulação.
“Outras ferramentas utilizadas são estudos controlados, pesquisas científicas independentes e estudos de pós-mercado, que garantem rigor metodológico e complementam o trabalho de farmacovigilância”, acrescenta o órgão.
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