Vida e Saúde

Anvisa monitora reações e óbitos suspeitos após uso de canetas emagrecedoras desde 2018

Casos são suspeitos, ou seja, não é possível afirmar que tenham relação direta com medicamento; Agência reforça que relação entre risco e benefício segue sem alterações nas indicações aprovadas

Agência O Globo - 20/02/2026
Anvisa monitora reações e óbitos suspeitos após uso de canetas emagrecedoras desde 2018
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O VigiMed, sistema da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) responsável por receber relatos de possíveis efeitos adversos relacionados a medicamentos em circulação no Brasil, registrou 65 óbitos suspeitos após o uso de análogos de GLP-1, conhecidos como “canetas emagrecedoras”, entre dezembro de 2018 e dezembro de 2025.

A Anvisa destaca que esse monitoramento é uma prática padrão para todos os medicamentos aprovados no país e reforça que os casos são considerados suspeitos, ou seja, não há confirmação de relação direta com o uso do fármaco. Em nota, a agência ressalta ainda que “a relação de risco X benefício destes medicamentos segue sem alterações, considerando as indicações aprovadas”.

O levantamento da agência abrangeu os princípios ativos semaglutida (presentes em Ozempic e Wegovy), tirzepatida (Mounjaro), liraglutida (Saxenda e Victoza) e dulaglutida (Trulicity). No período de sete anos, foram registradas 2.436 reações suspeitas, variando em gravidade. O painel do VigiMed aponta que 1.128 eventos — quase metade do total — foram notificados somente em 2024.

Entre as reações mais comuns estão aquelas já descritas nas bulas dos medicamentos, como náusea, vômitos, mal-estar, diarreia, constipação e pancreatite. Especificamente sobre a inflamação grave no pâncreas, foram registrados 145 casos. Considerando também notificações coletadas em testes clínicos, que não entram no VigiMed, o número sobe para 225 registros.

Em relação aos óbitos, foram notificados 65 casos suspeitos de associação com o uso dos medicamentos no período analisado, incluindo seis já divulgados que podem ter relação com quadros de pancreatite.

A Anvisa esclarece que esses registros não são investigados individualmente. O procedimento consiste na análise geral das notificações recebidas como parte do monitoramento de farmacovigilância, para avaliar se há alteração no perfil de risco e benefício observado nos estudos clínicos.

“O valor das notificações como evidência está no conjunto de dados que, somados e analisados de forma global, podem indicar mudanças no perfil de segurança e eficácia de medicamentos (...) O sistema de notificações é uma das ferramentas que a Anvisa e demais agências utilizam para monitorar o desempenho de medicamento na vida real, pós-mercado”, informa a agência em nota.

A Anvisa ressalta, ainda, que a eficácia do monitoramento depende da qualidade das informações repassadas e que esse não é o único instrumento utilizado para confirmar a segurança dos medicamentos em circulação.

“Outras ferramentas utilizadas são estudos controlados, pesquisas científicas independentes e estudos de pós-mercado que garantem um rigor metodológico e completam o trabalho de farmacovigilância”, complementa a agência.