Vida e Saúde
OMS confirma nova variante do mpox e recomenda vigilância internacional
Nova cepa recombinante foi identificada no Reino Unido e na Índia
A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou o surgimento de uma nova variante do vírus mpox, detectada no Reino Unido e na Índia. Até o momento, apenas um caso foi registrado em cada país, conforme comunicado divulgado no último sábado (14). Ambos os pacientes haviam realizado viagens internacionais antes da infecção e não apresentaram sintomas graves.
Segundo a OMS, a nova cepa é uma versão recombinante formada pelos Clados 1b e 2b do mpox. Os dois indivíduos adoeceram com algumas semanas de diferença, ambos infectados pela mesma cepa recombinante, o que pode indicar a existência de outros casos ainda não identificados.
No Reino Unido, o caso foi registrado em dezembro de 2025 em um viajante que retornava da região da Ásia-Pacífico. Já na Índia, o paciente apresentou sintomas em setembro de 2025 e, inicialmente, foi classificado como infectado pelo Clado 2 do mpox.
Após atualizações em bancos de dados genômicos globais, o vírus foi reclassificado como a mesma cepa recombinante detectada no Reino Unido. O caso indiano representa, até o momento, a ocorrência mais precoce conhecida dessa variante.
Vigilância é essencial
“Devido ao pequeno número de casos encontrados até agora, conclusões sobre a transmissibilidade ou a caracterização clínica da mpox causada por cepas recombinantes seriam prematuras. Por isso, é fundamental manter a vigilância sobre esse desenvolvimento”, destacou a OMS.
Apesar do alerta, a avaliação de risco da OMS permanece inalterada: risco moderado para homens que fazem sexo com homens com parceiros novos ou múltiplos, profissionais do sexo ou pessoas com múltiplos parceiros sexuais casuais; e risco baixo para a população em geral sem fatores de risco específicos.
Cepas do vírus mpox
A mpox é uma doença viral da mesma família da varíola, erradicada em 1980, embora seja mais rara e geralmente menos grave. Existem duas principais cepas conhecidas: uma associada à África Central, na região do Congo (antigo Clado do Congo), e outra à África Ocidental, na região da Nigéria (antigo Clado da Nigéria).
Essas cepas foram renomeadas para Clado 1 e Clado 2 no final de 2022, quando o nome da doença também foi alterado de “varíola dos macacos” para mpox. O Clado 2, mais brando, foi responsável pela propagação global em 2022, especialmente após o surgimento da variante 2b, que adquiriu a capacidade de se disseminar por contato sexual.
Naquele período, a OMS decretou Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII), e o Brasil figurou entre os países mais afetados, sendo o primeiro a registrar um óbito fora da África. A cepa 2b ainda circula globalmente, inclusive no Brasil, mas com menor intensidade e sem configurar emergência internacional.
Em setembro de 2023, pesquisadores identificaram uma nova variante do mpox derivada do Clado 1, considerada mais grave e com estimativas de letalidade de até 10%. Essa cepa, chamada 1b, também parece ter adquirido a capacidade de transmissão sexual.
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