Vida e Saúde

Estimulação cerebral pode tornar pessoas mais generosas, aponta estudo

Pesquisa mostra que sincronização entre regiões frontal e parietal do cérebro, por meio de estimulação não invasiva, aumentou decisões altruístas mesmo quando implicavam custo pessoal

Agência O Globo - 14/02/2026
Estimulação cerebral pode tornar pessoas mais generosas, aponta estudo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Uma técnica de estimulação cerebral capaz de sincronizar suavemente duas áreas do cérebro pode tornar as pessoas mais generosas, mesmo quando isso envolve um custo pessoal. A conclusão é de um estudo publicado em 10 de fevereiro na revista científica PLOS Biology.

A pesquisa foi conduzida por Jie Hu, da Universidade Normal do Leste da China, em parceria com cientistas da Universidade de Zurique, na Suíça. Ao alinhar a atividade entre regiões cerebrais específicas, a equipe observou um aumento modesto no comportamento altruísta dos participantes.

Desde cedo, pais ensinam os filhos a compartilhar, demonstrar gentileza e considerar as necessidades alheias — atitudes fundamentais para o funcionamento harmonioso das comunidades.

No entanto, adultos apresentam grande variação no grau de altruísmo: enquanto alguns priorizam constantemente o bem-estar dos outros, há quem tenda a colocar seus próprios interesses em primeiro lugar. Compreender as razões dessas diferenças individuais é um desafio que mobiliza cientistas há décadas.

Segundo o coautor Christian Ruff, "Identificamos um padrão de comunicação entre regiões do cérebro associado a escolhas altruístas. Isso aprofunda nossa compreensão sobre como o cérebro sustenta decisões sociais e abre caminho para novas pesquisas sobre cooperação, especialmente em situações em que o sucesso depende do trabalho conjunto das pessoas".

O pesquisador Jie Hu destacou: "O diferencial deste estudo é a evidência de causa e efeito: ao alterar a comunicação em uma rede cerebral específica por meio de estimulação direcionada e não invasiva, as decisões de compartilhamento dos participantes mudaram de forma consistente, modificando o equilíbrio entre interesses próprios e dos outros".

Já Marius Moisa, também coautor, afirmou: "Ficamos impressionados ao constatar que aumentar a coordenação entre duas áreas cerebrais levou a escolhas mais altruístas. Com maior sincronia entre regiões frontais e parietais, os participantes demonstraram maior propensão a ajudar o próximo, mesmo diante de custos pessoais".

Para os pesquisadores, os resultados ampliam a compreensão sobre como o cérebro influencia decisões sociais e podem fomentar novas investigações sobre cooperação e comportamento coletivo.