Vida e Saúde
Carnaval: como identificar sinais de intoxicação por bebida adulterada com metanol
Especialistas alertam: intoxicação por metanol pode não apresentar sintomas imediatos e exige atenção redobrada
O Carnaval é tradicionalmente um período de celebração, alegria e consumo elevado de bebidas alcoólicas, que vão da cerveja ao uísque e outros destilados. No final de 2025, o Brasil enfrentou uma grave crise sanitária devido à adulteração de bebidas destiladas. De acordo com o Ministério da Saúde, entre 26 de setembro e 5 de dezembro de 2025, foram registradas 890 notificações, com 73 casos e 22 óbitos confirmados por intoxicação por metanol.
Diferente do álcool comum (etanol), o metanol é metabolizado pelo organismo em substâncias altamente tóxicas, que afetam principalmente a produção de energia das células e atingem de forma severa o sistema nervoso.
Entre as complicações mais comuns estão alterações visuais (como visão turva ou embaçada), lesão do nervo óptico, confusão mental, convulsões, queda do nível de consciência (coma), arritmias e insuficiência respiratória, podendo evoluir para óbito.
O perigo dos sintomas tardios
Segundo especialistas, o risco de intoxicação por metanol é maior porque, muitas vezes, não há sinais imediatos, o que pode levar à confusão com uma ressaca mais intensa.
“Os sintomas costumam surgir de forma progressiva, geralmente entre seis e 24 horas após a ingestão da bebida, podendo, em alguns casos, aparecer até 48 horas depois”, explica o patologista clínico Helio Magarinos Torres Filho, diretor médico do Richet Medicina e Diagnóstico, laboratório de análises clínicas da Rede D’Or.
Um dos principais diferenciais em relação à intoxicação alcoólica comum, segundo o especialista, é a intensidade e a evolução dos sintomas, muitas vezes desproporcionais à quantidade de bebida consumida.
Sinais de alerta
O Ministério da Saúde orienta que, neste Carnaval, diante de sintomas como dor de cabeça intensa e persistente, náuseas, vômitos frequentes, dor abdominal, tontura, mal-estar e, principalmente, alterações visuais — como visão turva ou embaçada, dor ocular e sensibilidade à luz —, a pessoa procure atendimento médico imediato e evite a automedicação.
“As alterações visuais são as mais características e não devem ser ignoradas, mesmo quando discretas. Ao chegar ao serviço de emergência, é fundamental relatar a suspeita de ingestão de bebida de origem duvidosa e, se possível, levar a embalagem ou uma amostra do que foi consumido”, orienta Magarinos.
Como forma de prevenção, o patologista recomenda consumir apenas bebidas de procedência conhecida, evitar produtos sem rótulo ou vendidos em condições suspeitas e buscar atendimento médico diante de qualquer sintoma incomum após o consumo de álcool.
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