Vida e Saúde

Quantos puns uma pessoa normal pode soltar por dia? Estudo americano traz resposta surpreendente

Pesquisa com roupas íntimas inteligentes revela que humanos produzem o dobro de flatulências do que se pensava

Agência O Globo - 12/02/2026
Quantos puns uma pessoa normal pode soltar por dia? Estudo americano traz resposta surpreendente
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Cientistas da Universidade de Maryland desenvolveram uma "roupa íntima inteligente" capaz de registrar com precisão a frequência com que uma pessoa solta gases ao longo do dia. O estudo revelou que, em média, uma pessoa comum libera cerca de 32 flatulências diariamente — mais que o dobro das 14 vezes anteriormente consideradas normais por médicos.

Segundo os pesquisadores, há uma grande variação entre os extremos: os chamados “hiperprodutores de hidrogênio” podem chegar a expelir de 40 a 50 gases por dia, enquanto os “digestores zen”, mesmo com uma dieta rica em fibras (25 a 38 gramas diárias), produzem apenas quatro episódios de flatulência.

Para obter esses dados, os cientistas acoplaram um dispositivo do tamanho de uma moeda em roupas íntimas (ou mesmo em calças comuns). O aparelho utiliza um sensor eletroquímico para monitorar, em tempo real, o hidrogênio e outros gases emitidos pelo intestino.

Como o hidrogênio é gerado exclusivamente por micróbios, o monitoramento desse gás permite uma leitura direta da atividade do microbioma intestinal. Os resultados ajudam a estabelecer um valor de referência para a produção de gases — algo que, até então, não existia, diferentemente de outros marcadores clínicos como frequência cardíaca, colesterol ou glicose.

Antes desse avanço, estimativas sobre a média de flatulências dependiam de relatos pessoais, que são pouco confiáveis, especialmente durante o sono. O novo dispositivo se mostrou confortável para 80% dos participantes, sendo discreto e fácil de usar no dia a dia.

“A medição objetiva nos dá a oportunidade de aumentar o rigor científico em uma área que tem sido difícil de estudar”, explica Brantley Hall, especialista em microbiota intestinal e autor principal do estudo.

O estudo recrutou 19 adultos, que utilizaram o dispositivo durante uma semana, enquanto consumiam doces com pequenas quantidades de inulina — uma fibra prebiótica. O sensor detectou, com 94,7% de precisão, o aumento na produção de hidrogênio provocado pela digestão da fibra. “Pense nisso como um monitor contínuo de glicose, mas para gases intestinais”, compara Hall.

A pesquisa será ampliada para o projeto nacional ‘Atlas de Flatulência Humana’, nos Estados Unidos. Qualquer pessoa maior de 18 anos pode se inscrever; os participantes receberão o dispositivo para monitoramento próprio. O foco está nos extremos da produção de gases, com coleta de amostras de fezes para análise do microbioma intestinal.

“Há muita informação sobre quais micróbios vivem no intestino, mas pouco sobre o que eles realmente fazem em tempo real. O Atlas de Flatulência Humana vai estabelecer parâmetros objetivos para a fermentação microbiana, essenciais para avaliar como intervenções dietéticas, probióticas ou prebióticas alteram a atividade do microbioma”, destaca Hall.