Vida e Saúde

Barulho de trânsito está ligado a aumento do colesterol e riscos à saúde

Estudo publicado na Environmental Research aponta efeitos do ruído noturno no metabolismo

Agência O Globo - 12/02/2026
Barulho de trânsito está ligado a aumento do colesterol e riscos à saúde
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A poluição sonora causada pelo trânsito noturno em rodovias e autoestradas pode afetar diretamente a saúde de quem mora nas proximidades. Um novo estudo revelou que a exposição ao ruído do tráfego está associada a níveis mais elevados de colesterol no sangue e a metabólitos ligados ao acúmulo de gordura em adultos – fatores de risco conhecidos para doenças cardiometabólicas, como diabetes tipo 2 e hipertensão arterial.

Segundo a pesquisa, pessoas expostas a níveis noturnos de poluição sonora de cerca de 50 decibéis (dB) ou mais apresentam maior risco para alterações metabólicas. Os efeitos se tornam ainda mais pronunciados em ambientes com ruídos mais elevados.

"Nossas descobertas sugerem que o ruído do tráfego noturno pode afetar sutilmente, mas de forma consistente, a saúde metabólica", afirma Yiyan He, autora principal do estudo e pesquisadora de doutorado na Universidade de Oulu, na Finlândia.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o ruído do trânsito não ultrapasse 53 decibéis para garantir a segurança e evitar riscos à saúde.

O estudo analisou dados de mais de 200 mil adultos com 31 anos ou mais, provenientes de três grandes pesquisas europeias: o Biobanco do Reino Unido, o Estudo de Roterdã e a Coorte de Nascimento da Finlândia do Norte de 1966.

Para determinar os níveis de ruído considerados prejudiciais, os pesquisadores utilizaram mapas nacionais de ruído e concentraram-se na exposição durante a noite, período em que as pessoas estão mais vulneráveis a distúrbios do sono. Foram coletadas amostras de sangue para a análise de 155 biomarcadores metabólicos.

Essa abordagem permitiu estabelecer uma relação entre a exposição prolongada ao ruído noturno do trânsito e mudanças detalhadas no metabolismo sanguíneo.

Os resultados mostraram que a exposição a ruídos acima de 55 dB está ligada a níveis elevados de colesterol total e LDL (conhecido como "colesterol ruim"), além de outros marcadores relevantes para a saúde cardiometabólica. O estudo foi publicado na revista científica Environmental Research.

"Este estudo fornece evidências biológicas que reforçam as ligações já conhecidas entre o ruído do trânsito e doenças cardiometabólicas. Isso destaca que o ruído ambiental não é apenas um incômodo, mas um real problema de saúde pública", ressalta o professor Sylvain Sebert, da Universidade de Oulu.

Ruído do trânsito também pode aumentar risco de depressão e ansiedade

Outra pesquisa da Universidade de Oulu, também publicada na Environmental Research, apontou que o barulho do trânsito está relacionado ao aumento do risco de depressão e ansiedade.

O estudo acompanhou 114.353 pessoas nascidas na Finlândia entre 1987 e 1998, residentes na região metropolitana de Helsinque em 2007, por até dez anos, dos oito aos 21 anos de idade.

Os resultados indicaram que jovens expostos a níveis de ruído superiores ao limite recomendado pela OMS apresentaram maior risco de desenvolver problemas de saúde mental.

"Nossa análise mostrou que o risco de ansiedade é menor quando o ruído do trânsito está entre 45 e 50 dB na parte mais silenciosa da residência, mas aumenta significativamente após 53 a 55 dB. Acima de 53 dB, o ruído se torna um estressor psicológico importante para os jovens, independentemente do local do quarto", explica Anna Pulakka, autora sênior do estudo.