Vida e Saúde

'Vila da demência': EUA criam primeira residência especializada para idosos com perda de memória

Projeto abrigará até 65 pacientes com problemas de memória e foi pensado para promover autonomia e rotina semelhante à vida em comunidade.

Agência O Globo - 11/02/2026
'Vila da demência': EUA criam primeira residência especializada para idosos com perda de memória
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Uma empresa de cuidados paliativos do Wisconsin, nos Estados Unidos, anunciou a criação da primeira "vila da demência" do país, iniciativa que busca transformar os cuidados de saúde voltados para a memória. A comunidade, desenvolvida pela Agrace, será inaugurada em setembro de 2027, em seu campus em Madison, inspirada em um modelo bem-sucedido da Holanda.

O projeto, orçado em cerca de US$ 40 milhões, terá capacidade para até 65 residentes com perda de memória e foi planejado para oferecer independência e rotina, simulando uma pequena cidade. Os moradores viverão em casas para oito pessoas, com equipe médica de prontidão para auxiliá-los nas atividades diárias, como fazer compras ou frequentar restaurantes.

"Morar neste campus não será como estar em uma instituição. Estamos construindo residências individuais que se assemelham a uma casa de verdade. Tudo o que existe em uma casa tradicional será replicado aqui na vila", explicou Lynee Sexten, CEO da Agrace, em comunicado.

O conceito segue o exemplo da Vila da Demência de Hogeweyk, na Holanda, projetada para permitir que os residentes mantenham uma vida ativa e social, evitando a institucionalização. A iniciativa revolucionou o tratamento da demência em países como Holanda, Austrália, Canadá e China, promovendo inclusão e qualidade de vida.

Foi o primeiro projeto a desinstitucionalizar o atendimento a pessoas com problemas de memória, tornando-o mais próximo da vida normal e incentivando a autonomia dos moradores.

Agora, esse modelo inovador chega aos Estados Unidos.

Segundo Sexten, muitas famílias norte-americanas estão insatisfeitas com as opções de cuidados disponíveis para pessoas com demência, condição que tende a crescer nos próximos anos. Por isso, a empresa buscou uma solução mais acolhedora e eficiente.

"Queremos criar um ambiente onde possamos restaurar o máximo de autonomia e espontaneidade possível para aqueles que vivem com demência", afirmou a CEO à emissora WMTV.

Ainda não foram divulgados os valores da residência, mas a Agrace informou que a acomodação e alimentação serão custeadas pelas famílias, enquanto despesas médicas poderão ser cobertas por planos de saúde.

"Embora ainda não tenhamos detalhes sobre os custos, os residentes pagarão mensalidades comparáveis às de outras residências assistenciais", declarou um porta-voz da Agrace ao Daily Mail.

Mais de 100 pessoas já se cadastraram para receber informações sobre a abertura da vila, que também oferecerá visitas diurnas para pessoas com demência que não residem no local, permitindo que participem das atividades da comunidade.

Dados do estado de Wisconsin indicam que 11% da população acima de 65 anos tem Alzheimer, forma mais comum de demência, que é a sétima principal causa de morte na região.

Assim como em Hogeweyk, os residentes da vila da Agrace permanecerão no local até o fim da vida. Segundo a Organização Mundial da Saúde, em 2021 havia 57 milhões de pessoas vivendo com demência no mundo.

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