Vida e Saúde

Cientista revela qual é a década mais exaustiva da vida

Estudos indicam que obrigações e desafios atingem o ápice em uma fase específica da vida adulta

Agência O Globo - 10/02/2026
Cientista revela qual é a década mais exaustiva da vida
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

À medida que a vida avança, as demandas e responsabilidades tendem a se intensificar, independentemente do caminho escolhido. Não basta esperar que as tarefas se resolvam sozinhas: é preciso agir.

De acordo com Michelle Spear, professora e anatomista da Universidade de Bristol, na Inglaterra, a década dos 40 anos é considerada a mais exaustiva da vida. Isso ocorre devido a uma combinação potente: é nesse período que mudanças naturais do corpo coincidem com exigências crescentes do trabalho, da vida pessoal e da criação dos filhos.

“Ocorre uma incompatibilidade entre biologia e demanda. Nossos corpos ainda conseguem produzir energia, mas em condições diferentes das da juventude, enquanto as exigências sobre essa energia atingem o pico”, explica Spear em entrevista ao Daily Mail.

A biologia por trás do cansaço

Segundo a especialista, a partir dos 30 anos há uma redução da massa muscular — a menos que haja treino de força regular. Menos massa muscular significa metabolismo mais lento, impactando a alimentação e o sono.

Spear destaca ainda as alterações hormonais, especialmente em mulheres durante a perimenopausa, quando flutuações de estrogênio e progesterona afetam diretamente áreas do cérebro responsáveis pela qualidade do sono e pela regulação da temperatura corporal.

Esses fatores, combinados à maior sensibilidade ao estresse em adultos mais velhos, contribuem para noites mal dormidas. Pesquisas mostram ainda que, aos 40 anos, muitos ocupam cargos de liderança, acrescentando mais pressão ao dia a dia.

“A fadiga dos 40 anos, em particular, costuma refletir uma carga cumulativa de responsabilidades, mais do que o envelhecimento em si”, esclarece Spear.

Perspectivas positivas

A boa notícia, segundo a cientista, é que os níveis de satisfação tendem a aumentar após os 60 anos. Com a proximidade da aposentadoria, o estresse diminui significativamente, o trabalho pode ser realizado de forma mais leve e o sono tende a se regularizar.

Ela orienta que, com os cuidados adequados, os 60 anos podem ser mais satisfatórios do que os desafiadores 40. “O objetivo não é recuperar a energia da juventude, mas sim proteger e priorizar a recuperação”, conclui.