Vida e Saúde

Casos suspeitos de pancreatite associados a canetas emagrecedoras aumentam e afetam principalmente mulheres

Notificações crescem com popularização do uso dos medicamentos no Brasil

Agência O Globo - 10/02/2026
Casos suspeitos de pancreatite associados a canetas emagrecedoras aumentam e afetam principalmente mulheres
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O número de notificações de suspeitas de pancreatite em pessoas que utilizaram medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras” vem crescendo no Brasil nos últimos anos, segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Levantamento feito pela agência aponta que, entre 1º de janeiro de 2020 e 7 de dezembro de 2025, foram registradas 145 notificações de suspeitas de eventos adversos relacionados à pancreatite. Cerca de três em cada quatro desses casos envolvem pacientes do sexo feminino.

Os registros aumentaram progressivamente ao longo do período analisado. Em 2020, houve apenas uma notificação. No ano seguinte, foram 21. Em 2022, o número subiu para 23, chegando a 27 em 2023. Já em 2024, foram 28 registros, e em 2025, o total saltou para 45 notificações suspeitas.

Entre os medicamentos citados estão aqueles com princípios ativos como semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida, presentes em produtos comercializados sob os nomes Ozempic, Saxenda, Mounjaro, Wegovy, Trulicity, Victoza e Xultophy.

Do total de notificações, seis relataram desfecho suspeito de óbito, conforme informado à Anvisa. A agência ressalta, no entanto, que os dados referem-se a suspeitas iniciais e não permitem afirmar que os medicamentos foram a causa direta dos quadros. A apuração individual é conduzida pelas vigilâncias locais e pelas equipes médicas responsáveis pelos pacientes.

A Anvisa esclarece que acompanha esses registros como parte do monitoramento de segurança dos medicamentos após a entrada no mercado. Segundo a agência, a possibilidade de pancreatite já está prevista na bula desses produtos no Brasil como evento adverso potencial.

Desde junho de 2025, a venda desses medicamentos exige retenção da receita médica nas farmácias, medida adotada após o aumento do uso sem acompanhamento profissional.

A orientação é que pessoas em tratamento procurem atendimento médico imediato diante de dor abdominal intensa e persistente, especialmente quando a dor se irradia para as costas e vem acompanhada de náuseas e vômitos, sintomas típicos de pancreatite. Em caso de confirmação da doença, o uso do medicamento não deve ser retomado.