Vida e Saúde

Anvisa investiga seis mortes suspeitas de pancreatite ligadas ao uso de canetas emagrecedoras

Entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025, foram notificadas 145 suspeitas de casos no país

Agência O Globo - 07/02/2026
Anvisa investiga seis mortes suspeitas de pancreatite ligadas ao uso de canetas emagrecedoras
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registrou aumento nas notificações de casos suspeitos de pancreatite associados ao uso de canetas emagrecedoras no Brasil desde 2020. Segundo o órgão, seis desses casos resultaram em morte.

Dados obtidos junto à Anvisa revelam que, entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025, foram feitas 145 notificações de suspeitas de pancreatite relacionadas ao uso de princípios ativos como semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida. Considerando também informações de pesquisas clínicas, o total atinge 225 notificações no período.

Esses registros integram o sistema VigiMed, utilizado pela Anvisa para monitorar eventos adversos ligados a medicamentos. De acordo com a agência, seis notificações apontam desfecho suspeito de óbito, informados pelos próprios notificadores.

Crescimento das notificações

A série histórica evidencia um crescimento contínuo dos casos nos últimos anos: em 2020, houve apenas uma notificação; em 2021, foram 21; em 2022, 23; em 2023, 27; e em 2024, 28 registros. Já em 2025, o número saltou para 45, representando alta de 60,7% em relação ao ano anterior.

Em nota ao jornal O Globo, a Anvisa ressaltou que os dados referem-se a notificações de suspeitas, não necessariamente a casos comprovados. “É importante destacar que os casos se referem a notificações de suspeitas relatadas para a Anvisa. Não podemos afirmar que se tratam de casos comprovados”, informou a agência.

Risco já consta em bula

Os medicamentos dessa classe, usados no tratamento da obesidade e do diabetes, já trazem em bula a possibilidade de ocorrência de pancreatite como efeito adverso. No Brasil, o risco está descrito nos documentos regulatórios aprovados pela Anvisa.

Nos últimos anos, o uso desses medicamentos cresceu rapidamente no país, impulsionado inclusive por prescrições fora das indicações originais e pelo mercado ilegal. Para a agência, esse cenário reforça a importância da prescrição responsável e do acompanhamento médico contínuo.

Alerta internacional

A agência reguladora de saúde do Reino Unido emitiu alerta nesta semana sobre o risco de pancreatite aguda grave em usuários de medicamentos para obesidade e diabetes, como o Mounjaro, da Eli Lilly, e o Wegovy, da Novo Nordisk — conhecidas como canetas emagrecedoras.

Embora os casos mais graves de pancreatite sejam raros, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido (MHRA) destacou recentemente que médicos e pacientes devem estar atentos, pois alguns episódios foram particularmente severos, reforçando o alerta sobre o uso desses medicamentos.

O que é a pancreatite?

A pancreatite aguda é um processo inflamatório súbito causado pela autodigestão do pâncreas por suas próprias enzimas. Essa condição pode afetar outros tecidos e órgãos próximos ou até distantes.

A doença pode ser classificada em dois tipos: leve ou grave. Na forma leve, as alterações clínicas são mínimas. Já na forma grave, podem ocorrer sinais de falência de órgãos, como hipotensão arterial, insuficiência respiratória, insuficiência renal e sangramento gastrointestinal. Complicações locais, como necrose, abscesso e pseudocisto pancreático, também podem estar presentes.