Vida e Saúde

Pomada íntima pode ser detectada em teste antidoping? Entenda o caso de Virginia e Vini Jr.

Influenciadora relata necessidade de avisar namorado atleta sobre uso de medicamentos ginecológicos

Agência O Globo - 07/02/2026
Pomada íntima pode ser detectada em teste antidoping? Entenda o caso de Virginia e Vini Jr.
Pomada íntima pode ser detectada em teste antidoping? Entenda o caso de Virginia e Vini Jr. - Foto: Reprodução / Instagram

Uma declaração da empresária e influenciadora Virginia Fonseca gerou dúvidas em muitas pessoas: pomadas íntimas podem ser detectadas em testes antidoping? A resposta é que sim, existe essa possibilidade.

Em entrevista ao jornalista Leo Dias, Virginia revelou que precisa informar ao namorado, o jogador de futebol Vini Jr., sempre que faz uso de pomadas ginecológicas. Isso porque determinadas substâncias presentes nesses medicamentos podem ser identificadas em exames antidoping realizados em atletas, o que pode resultar até em desclassificação.

Como a pomada íntima pode ser detectada pelo antidoping?

Segundo a ginecologista Zsuzsanna Jarmy Di Bella, assessora da diretoria científica da Federação Brasileira das Associações em Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a principal forma de detecção ocorre quando o medicamento contém princípios ativos proibidos pela Agência Mundial Antidoping (WADA).

Um exemplo é o clostebol, esteroide derivado da testosterona, que pode estar presente em pomadas cicatrizantes para a região íntima. Esse tipo de substância pode ser transferida ao parceiro durante relações sexuais, já que o medicamento tópico aplicado na pele pode passar para o órgão sexual do atleta e ser absorvido.

"Nessa situação, a WADA consegue detectar mesmo quantidades mínimas do produto", explica Di Bella.

Outro cenário, de acordo com o ginecologista Guilherme Henrique Santos, especialista em estética íntima, envolve a reposição hormonal por meio de pomadas vaginais à base de estrogênio, testosterona ou DHEA (deidroepiandrosterona), também proibidos pela WADA.

"Já as pomadas ginecológicas tradicionais, como antifúngicos, antibióticos vaginais ou estrogênios locais, em geral não representam risco relevante para o parceiro", aponta Santos.

Apesar de ser possível que o contato com esses medicamentos resulte em detecção no exame, especialistas ressaltam que se trata de uma situação rara.

Casos de suspensão por uso de pomada

A preocupação, no entanto, é legítima. Em 2004, a ex-atleta brasileira Maurren Maggi, saltadora e velocista, foi suspensa pela WADA por utilizar um creme cicatrizante com clostebol após uma sessão de depilação. A suspensão durou dois anos.