Vida e Saúde

Companheiros de vida: como os animais de estimação podem melhorar a saúde emocional dos idosos

Relação com um animal ajuda a reduzir a solidão, dá estrutura à rotina diária e pode até favorecer um envelhecimento saudável

Agência O Globo - 07/02/2026
Companheiros de vida: como os animais de estimação podem melhorar a saúde emocional dos idosos
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Envelhecer traz consigo desafios físicos e sociais, como mudanças na saúde, perdas de vínculos e o risco de isolamento. Nesse contexto, a presença de animais de estimação — já presentes em milhões de lares — revela benefícios que vão muito além do afeto: eles podem ser aliados importantes para a saúde emocional dos idosos.

Mais companhia, menos solidão

Pesquisas científicas e dados de sociedades especializadas mostram que idosos que convivem com animais de estimação experimentam impactos positivos em seu bem-estar emocional e mental. Um estudo publicado no PubMed analisou adultos com 60 anos ou mais e constatou que aqueles que tinham animais eram 36% menos propensos a relatar sentimentos de solidão, mesmo morando sozinhos, em comparação com quem não tinha companhia animal. A presença de um pet funciona como fonte constante de conexão e afeto, especialmente valiosa quando os vínculos sociais humanos são escassos.

A solidão crônica na velhice está associada a riscos maiores de depressão, ansiedade e problemas cardiovasculares. Por isso, a redução do isolamento emocional, promovida pela convivência com animais, tem efeitos diretos e positivos sobre a saúde geral dos idosos.

Estimulação cognitiva e rotina diária

Além de companhia, animais de estimação favorecem a organização e a atividade diária. Em um estudo qualitativo com pessoas acima de 65 anos, quem tinha animais relatou que seus companheiros proporcionavam senso de propósito, rotina e socialização — elementos essenciais para a manutenção da saúde mental ao longo do tempo.

Esse vínculo pode ser um antídoto contra a inatividade e a monotonia, fatores frequentemente ligados ao declínio cognitivo e à diminuição do bem-estar emocional. Estudos mais amplos sugerem ainda que a interação regular com cães ou gatos, combinada com atividade física leve, como passeios, pode estimular funções cognitivas e retardar seu declínio conforme o envelhecimento avança.

Mais que um amigo: impacto no corpo e na mente

Organizações como a American Humane Society destacam que a relação com pets pode trazer benefícios físicos, além dos emocionais: contribui para reduzir a pressão arterial, diminuir a ansiedade e fortalecer o ânimo de pessoas idosas.

Esse impacto não se restringe a quem vive acompanhado: mesmo em contextos de solidão, o afeto constante e a responsabilidade de cuidar de outro ser geram estímulo emocional e sensação de utilidade — aspectos valorizados por psicólogos e gerontólogos como fundamentais para o bem-estar na terceira idade.

Conselhos para quem está pensando em adotar

Embora a adoção de um animal de estimação possa ser muito benéfica, especialistas recomendam:

- Avaliar o nível de energia e as necessidades do animal, para garantir que estejam de acordo com o estilo de vida do idoso;

- Considerar animais de menor porte ou mais tranquilos, caso haja limitações de mobilidade;

- Certificar-se de que há redes de apoio para cuidados veterinários e passeios, se necessário.

Animais de estimação não substituem as relações humanas nem a atenção médica, mas podem ser um complemento poderoso para promover bem-estar emocional, companhia diária e motivação para manter-se ativo todos os dias.