Vida e Saúde
AVC: por que nova etapa em cirurgia para tratar coágulos melhora recuperação em pacientes
Estudo realizado na Espanha sugere que uso de medicamento disponível nos serviços de saúde pode aumentar número de reabilitações ‘excelentes’
Pesquisadores identificaram uma estratégia capaz de aprimorar os resultados da cirurgia para Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico — tipo causado pelo bloqueio de uma artéria, comprometendo o funcionamento cerebral. A proposta é associar a trombectomia, procedimento cirúrgico de remoção de coágulos, à rápida administração do medicamento Alteplase, já utilizado no tratamento do AVC para dissolver coágulos. Ambos, tanto a cirurgia quanto o fármaco, estão disponíveis no Brasil.
A análise foi apresentada na International Stroke Conference (ISC), realizada em Nova Orleans, nos Estados Unidos, sob a chancela da American Heart Association. O estudo, liderado por Ángel Chamorro, professor de Neurologia da Universidade de Barcelona, avaliou pacientes com bloqueios em grandes artérias — condição que responde por 1 em cada 4 AVCs isquêmicos.
Esse tipo de AVC está fortemente associado ao risco de morte e sequelas permanentes, pois obstrui artérias responsáveis por irrigar áreas vitais do cérebro, elevando a probabilidade de danos irreversíveis.
No estudo, a equipe de Chamorro acompanhou cerca de 400 pacientes com AVC em grandes artérias, tratados entre 4,5 e 24 horas após o início dos sintomas. O pesquisador ressalta, entretanto, que a intervenção precoce é essencial para melhores resultados.
— A trombectomia deve ser realizada como atualmente, mas, após a remoção dos grandes coágulos que impedem a circulação, é fundamental administrar um trombolítico para dissolver pequenos bloqueios não detectáveis na angiografia — explicou Chamorro ao GLOBO. — Os dados já são suficientes para que médicos considerem atualizar suas práticas e diretrizes clínicas. Em minha opinião, a inclusão é questão de tempo.
Os participantes foram divididos em dois grupos: 219 realizaram apenas a cirurgia, enquanto 214 receberam a cirurgia associada ao medicamento. Após 90 dias de acompanhamento, os pacientes que receberam a combinação apresentaram evolução superior.
No grupo tratado com o medicamento, 57,5% alcançaram recuperação considerada “excelente”, frente a 42,5% entre os que não receberam o fármaco. Além disso, a ocorrência de fluxo sanguíneo inadequado em vasos menores foi menor (28,6% contra 50,5%).
De modo geral, esses pacientes também demonstraram melhor desempenho em habilidades, autocuidado e atividades cotidianas, além de apresentarem leve redução no volume de outros tipos de sangramento cerebral.
— Antes, utilizávamos o medicamento antes ou durante a cirurgia. Agora, com a retirada do grande coágulo pela trombectomia, a droga se mostra mais eficaz, já que os coágulos residuais são mais facilmente dissolvidos — detalha o médico. — O medicamento é conhecido, mas era administrado precocemente. Agora, entendemos o momento ideal. Essa é a grande mudança.
Esta não é a primeira investigação sobre o tema. Uma etapa anterior, publicada em 2022 pelo mesmo pesquisador, já apontava benefícios na combinação dos tratamentos. Contudo, o estudo inicial teve amostra reduzida em razão das limitações impostas pela pandemia de Covid-19.
*A repórter viajou a convite da Bayer.
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