Vida e Saúde

Prato colorido? Entenda como corantes artificiais em alimentos podem prejudicar saúde mental das crianças

Novo estudo indica que quase um em cada cinco alimentos e bebidas industrializados vendidos nos EUA contém substâncias associadas a problemas comportamentais como hiperatividade e dificuldade de atenção

Agência O Globo - 05/02/2026
Prato colorido? Entenda como corantes artificiais em alimentos podem prejudicar saúde mental das crianças
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Produtos com cores vibrantes, muito comuns nas prateleiras de supermercados e amplamente direcionados ao público infantil, podem representar riscos à saúde das crianças. Um novo estudo indica que quase um em cada cinco alimentos e bebidas industrializados vendidos nos Estados Unidos contém corantes sintéticos, substâncias associadas a problemas comportamentais como hiperatividade e dificuldade de atenção.

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A pesquisa, publicada recentemente no Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics, analisou 39.763 produtos disponíveis em supermercados americanos. Segundo os pesquisadores, os corantes artificiais são usados para tornar os alimentos mais atraentes visualmente, sobretudo aqueles voltados para crianças, mas há um volume crescente de evidências científicas que relaciona esses aditivos a efeitos negativos no comportamento infantil.

O estudo foi conduzido por pesquisadores do The George Institute for Global Health, da Universidade da Carolina do Norte e do Center for Science in the Public Interest. Eles avaliaram a lista de ingredientes de alimentos e bebidas industrializados produzidos pelas 25 maiores fabricantes dos Estados Unidos, com foco em cinco categorias frequentemente promovidas ao público infantil: confeitos, bebidas adoçadas com açúcar, refeições prontas, cereais matinais e produtos de panificação, como bolos, biscoitos e doces.

Os resultados mostram que esses produtos direcionados às crianças têm probabilidade significativamente maior de conter corantes sintéticos. As cores artificiais estavam presentes em 28% desses itens, contra apenas 11% nas demais categorias. Além disso, os alimentos com corantes apresentaram níveis muito mais elevados de açúcar: em média, 141% a mais (33,3 gramas por 100 gramas, ante 13,8 gramas por 100 gramas nos produtos sem corantes).

O alimento que

Para a pesquisadora Elizabeth Dunford, do The George Institute e professora assistente adjunta do Departamento de Nutrição da Universidade da Carolina do Norte, a permanência desses aditivos no sistema alimentar é motivo de preocupação.

“Diante do acúmulo de evidências ao longo dos últimos 40 anos apontando para os danos à saúde causados pelos corantes sintéticos, é decepcionante ver que eles ainda são tão prevalentes em nosso sistema alimentar, especialmente em produtos desenvolvidos para atrair crianças”, afirmou.

Segundo ela, “os altos níveis de açúcar nesses produtos de cores chamativas sugerem que as empresas usam corantes sintéticos para comercializar alimentos e bebidas doces, mas ambos os ingredientes estão associados a desfechos ruins para a saúde”.

O levantamento também identificou grandes marcas entre as que mais utilizam corantes artificiais. Empresas do setor de confeitaria lideram o ranking, com a Ferrero apresentando corantes em 60% de seus produtos e a Mars em 52%. No segmento de bebidas, mais da metade (51%) dos energéticos da PepsiCo continham corantes sintéticos, assim como 79% das bebidas esportivas, independentemente da marca.

Thomas Galligan, cientista-chefe para aditivos alimentares e suplementos do Center for Science in the Public Interest, afirmou que os corantes sintéticos são desnecessários na cadeia alimentar americana, mas que os esforços para eliminá-los avançam lentamente.

“A FDA (agência reguladora de alimentos dos EUA) pediu recentemente que a indústria alimentícia eliminasse voluntariamente os corantes sintéticos do abastecimento, mas muitas empresas já haviam prometido antes parar de usá-los e não cumpriram. Portanto, ainda é cedo para saber se elas atenderão a esse novo pedido”, disse.

Ele acrescentou que “se a FDA exigisse rótulos de advertência em alimentos com corantes sintéticos, de forma semelhante à regra em vigor desde 2010 na União Europeia, haveria um incentivo muito mais forte para a reformulação dos produtos. Esses avisos também ajudariam os consumidores a se proteger melhor”.

No campo regulatório, Dunford considera positivo o fato de dezenas de estados americanos terem apresentado projetos de lei neste ano para restringir o uso de corantes sintéticos. Para ela, os dados do estudo podem contribuir para embasar decisões de formuladores de políticas públicas.

“Mas até que o processo regulatório acompanhe a ciência, pais e consumidores preocupados com a saúde devem sempre verificar o rótulo dos ingredientes em busca de corantes sintéticos e altos níveis de açúcar. Se um produto contiver qualquer um deles, o melhor é não comprar, especialmente para as crianças”, concluiu.