Vida e Saúde
Vírus Nipah: entenda por que ele é chamado de 'novo' mesmo sendo conhecido desde 1999
Morcegos hospedeiros do microrganismo são encontrados em toda a Ásia e no Pacífico Sul
Após o anúncio de novos casos, o vírus Nipah voltou a ser chamado de "novo", embora seja conhecido por pesquisadores desde 1999. O vírus Nipah (NiV) circula principalmente entre morcegos do gênero Pteropus, que se alimentam de frutas, mas pode ser transmitido a outros animais e a humanos por meio de alimentos contaminados ou diretamente entre pessoas.
Quando um indivíduo é infectado, o Nipah pode se manifestar de diferentes formas, desde doenças respiratórias até encefalites fatais (inflamação no cérebro), conforme informações da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Os morcegos hospedeiros do vírus são encontrados em toda a Ásia e no Pacífico Sul, incluindo países como Camboja, Gana, Indonésia, Madagascar, Filipinas, Tailândia e Austrália.
No primeiro surto identificado, há quase 30 anos, a contaminação ocorreu pelo consumo de porcos doentes. Em surtos posteriores, em Bangladesh e na Índia, o consumo de frutas ou produtos de frutas contaminados com urina ou saliva dos morcegos foi considerado a principal fonte de infecção.
A transmissão entre humanos também foi relatada, especialmente entre familiares e cuidadores de pacientes contaminados, por meio do contato próximo com secreções e excreções. No surto indiano de 2001, por exemplo, 75% dos casos ocorreram entre funcionários ou visitantes de um hospital.
Entre 2001 e 2008, cerca de metade dos casos relatados em Bangladesh foram atribuídos à transmissão de humano para humano durante o cuidado a pacientes infectados. Desde a descoberta do vírus, pelo menos duas pessoas são infectadas anualmente na Índia. Ou seja, o vírus Nipah não é novo, mas está em evidência devido a um novo surto.
Alerta do Ministério da Saúde
Segundo o Ministério da Saúde, o risco de o vírus chegar ao Brasil é considerado baixo. O surto recente registrado na Índia teve dois casos confirmados, ambos entre profissionais de saúde, sem evidências de disseminação internacional ou risco para a população brasileira.
"Diante do cenário atual, não há qualquer indicação de risco para a população brasileira. As autoridades de saúde seguem em monitoramento contínuo, em alinhamento com organismos internacionais", informou o ministério.
O país mantém protocolos permanentes de vigilância e resposta a agentes altamente patogênicos, em articulação com instituições de referência como o Instituto Evandro Chagas e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), além da participação da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS).
A OMS também afirmou que o risco de propagação do vírus é baixo e não recomenda restrições a viagens ou comércio com a Índia após a confirmação dos casos. No entanto, o órgão classifica o vírus Nipah como prioritário devido ao seu potencial de causar epidemias.
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