Vida e Saúde

Congelar o pão ajuda a controlar a glicose? Nutricionista esclarece benefícios e limitações

Especialista explica que o pão pode ser congelado por até seis meses, mas o processo não elimina o glúten nem reduz os efeitos de ultraprocessamento

Agência O Globo - 01/02/2026
Congelar o pão ajuda a controlar a glicose? Nutricionista esclarece benefícios e limitações
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Congelar o pão é um hábito comum em muitos lares brasileiros. Além de aumentar a durabilidade do alimento por até seis meses, o congelamento pode trazer benefícios à saúde. De acordo com especialistas, o processo pode alterar a forma como o organismo absorve o amido presente no pão, tornando a refeição mais leve para quem deseja controlar a glicose ou evitar picos de fome.

No entanto, os benefícios não se aplicam a todas as pessoas.

— Congelar não transforma o pão em um alimento “saudável” por si só. Não elimina o glúten nem neutraliza o excesso de ultraprocessamento. O efeito é quantitativamente modesto, mas pode ser clinicamente relevante no contexto adequado — afirma a nutricionista materno-infantil Juliana Galvão.

Segundo a especialista, quando pães ricos em amido, como pão francês, pão de forma, pão branco ou integral comum, são congelados e posteriormente descongelados ou tostados, ocorre um fenômeno chamado retrogradação do amido.

Esse processo transforma parte do amido em amido resistente, um tipo de carboidrato que é digerido mais lentamente pelo organismo.

— Durante o congelamento e resfriamento, parte do amido gelatinizado se reorganiza e forma o amido resistente tipo 3 (AR3), uma fração que não é digerida no intestino delgado e chega ao cólon, onde é fermentada pela microbiota, atuando de forma semelhante a uma fibra prebiótica — explica Galvão.

Ou seja, esse amido resistente alimenta bactérias benéficas do intestino e contribui para um trânsito intestinal mais equilibrado. Isso faz do pão congelado uma alternativa interessante para quem busca uma dieta mais estável.

Devido a essa transformação, o pão congelado tende a provocar um aumento menor de glicose no sangue em comparação ao pão fresco. Nutricionistas apontam que essa digestão mais lenta prolonga a sensação de saciedade e reduz picos energéticos seguidos de fome rápida.

O pão, especialmente quando tostado após o descongelamento, pode, de fato, diminuir o índice glicêmico da refeição e melhorar a saciedade em algumas pessoas, promovendo maior satisfação.

Porém, Galvão ressalta que os estudos sobre o tema ainda são recentes, os efeitos não são universais e dependem das características individuais de cada organismo.