Vida e Saúde

Do voyeurismo ao 'primal': especialistas apontam cinco fetiches mais comuns do que se imagina

Para algumas pessoas, essas práticas extrapolam a fantasia; para outras, permanecem no campo do imaginário

Agência O Globo - 30/01/2026
Do voyeurismo ao 'primal': especialistas apontam cinco fetiches mais comuns do que se imagina
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Durante muito tempo, os chamados kinks — termo que abrange interesses e fetiches sexuais fora do repertório considerado “convencional” — eram associados a nichos restritos. Atualmente, impulsionados pela cultura pop e pelo debate mais aberto sobre sexualidade, esses temas estão cada vez mais presentes nos consultórios de terapeutas sexuais.

Segundo o pesquisador em sexualidade Justin Lehmiller, em texto publicado no blog da revista Psychology Today, o kink ganhou destaque inédito na sociedade, especialmente após o sucesso da franquia Cinquenta Tons de Cinza. Para os especialistas, algumas pessoas levam essas práticas para além da fantasia, enquanto outras mantêm-nas apenas como estímulos imaginados — sempre com comunicação clara e consentimento entre adultos.

A seguir, conheça cinco fetiches que mais despertam curiosidade, de acordo com relatos de profissionais ouvidos pela imprensa internacional:

BDSM

A sigla BDSM reúne bondage e disciplina, dominação e submissão, sadismo e masoquismo. Segundo o terapeuta sexual Tom Murray, trata-se de um conjunto de atividades que envolvem “uma variedade de práticas, incluindo jogos de poder, dor consensual ou restrição para prazer mútuo”, sempre baseadas em comunicação e consentimento. Para ele, o BDSM também explora confiança, vulnerabilidade e conexão emocional.

A sexóloga Myisha Battle destaca que o BDSM é o fetiche mais citado por seus clientes. “A maioria das pessoas que pergunta sobre isso viu o BDSM retratado na mídia popular, acha erótico e deseja experimentar”, afirma.

Role-play

O role-play, ou encenação de papéis, é quando parceiros assumem personagens ou situações específicas. Murray explica que a prática “desperta excitação e rompe a rotina”, podendo envolver desde figuras de autoridade até fantasias históricas. Battle observa que muitos buscam orientações sobre como iniciar essas cenas ou como o role-play pode ajudar na expressão sexual. “Interpretar um personagem mais confiante pode auxiliar algumas pessoas a se expressarem melhor”, diz.

Voyeurismo e exibicionismo

Apesar de distintos, voyeurismo e exibicionismo costumam aparecer juntos nas consultas. O voyeurismo consiste em “sentir excitação ao observar outras pessoas em atividade sexual ou se despindo”, enquanto o exibicionismo está relacionado à “excitação de ser observado”, segundo Murray. Essas práticas ocorrem em ambientes consensuais, como clubes ou encontros privados, e ativam sensações consideradas primais, ligadas ao desejo e ao tabu.

Controle do orgasmo

O controle do orgasmo é uma prática em que uma pessoa prolonga a excitação da outra antes — ou sem — permitir o clímax. Para a terapeuta Janet Brito, trata-se de experimentar “antecipação intensa e sensações ampliadas do prazer adiado”. O objetivo é vivenciar a negação ou o atraso deliberado do orgasmo, o que pode aumentar a excitação, sempre com base na confiança e entrega entre os envolvidos.

Primal play

O primal play é descrito como uma vivência “ativa e corporal”, envolvendo comportamentos mais instintivos, como luta corporal consensual, puxões de cabelo ou mordidas. Battle ressalta que dar nome a esse interesse contribui para sua validação. “Isso confirma que o que a pessoa gosta é algo que outros também podem gostar e fornece linguagem para usar em perfis de relacionamento”, observa.

Para os especialistas, a maior visibilidade desses temas reflete mudanças culturais e uma busca por compreender desejos com menos culpa e mais informação — sempre com respeito, diálogo e consentimento.