Vida e Saúde

Perimenopausa: sintomas podem aparecer antes dos 40 anos

Fase de transição para a menopausa apresenta sinais sutis e pouco reconhecidos, dificultando o diagnóstico precoce.

Agência O Globo - 30/01/2026
Perimenopausa: sintomas podem aparecer antes dos 40 anos
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

É comum que muitas mulheres associem a menopausa à faixa dos 50 anos, período em que se manifestam sintomas clássicos como ondas de calor e alterações no ciclo menstrual. No entanto, a transição menopausal pode começar bem antes dessa fase da vida.

O que é a perimenopausa?

O período de oscilações hormonais que antecede a menopausa é chamado de perimenopausa. Os sintomas podem surgir no final dos 30 anos, ou até mesmo antes de mudanças perceptíveis no ciclo menstrual. De acordo com o ginecologista Dr. Igor Padovesi, especialista em menopausa pela North American Menopause Society (NAMS), alterações cognitivas como lapsos de memória e dificuldade de concentração — o chamado “brain fog” ou nevoeiro mental — são comuns nesta etapa.

“Muitas mulheres relatam sentir-se mais distraídas, com menor capacidade de raciocínio e concentração, chegando a descrever a sensação de que ficaram ‘menos inteligentes’. Esses sintomas são comuns na perimenopausa, mas raramente reconhecidos”, explica o médico.

Outros sinais iniciais incluem alterações do sono, aumento da ansiedade e irritabilidade, diminuição da libido e a sensação de não serem mais como antes. Fadiga extrema, acordar cansada e sentir exaustão diante de tarefas habituais também podem indicar perimenopausa.

Diagnóstico difícil e relatos reais

A nutricionista Talita Sartori, de 39 anos, sentiu os efeitos da perimenopausa antes dos 35. Ela só descobriu que seus sintomas estavam ligados à menopausa ao ser diagnosticada com menopausa precoce, durante exames para investigar endometriose, também confirmada.

“Descobri que meus episódios de insônia estavam associados à menopausa precoce. Eu já tinha fogachos, que só melhoraram depois da reposição hormonal, mas ainda acontecem”, relata Talita. “Minha menstruação era muito irregular e com pouco fluxo, e eu jamais imaginava que seria por causa da menopausa, pois era muito jovem”, acrescenta.

Segundo Padovesi, do ponto de vista hormonal, a perimenopausa é marcada por grandes oscilações, e não por uma queda progressiva e linear dos hormônios, como muitos imaginam. Um dos principais desafios do diagnóstico é justamente a ausência de um exame específico para confirmar a condição.

O desconhecimento sobre essa fase faz com que muitas mulheres se surpreendam ao perceber que já estão na perimenopausa, especialmente aquelas com rotinas intensas. “Sobrecarga de trabalho, cuidados com filhos, responsabilidades familiares e profissionais acabam mascarando os sintomas e dificultando a percepção de que essas mudanças têm origem hormonal. Reconhecer essa fase precocemente permite tratar os sintomas adequadamente e preservar a qualidade de vida em um período em que muitas mulheres ainda passam sem diagnóstico”, ressalta o médico.

Tratamento e qualidade de vida

Sobre o tratamento, Dr. Igor Padovesi esclarece que a principal abordagem é a terapia hormonal, também utilizada na menopausa. “Esse é o tratamento padrão, tanto da perimenopausa quanto da menopausa. Medidas como atividade física, melhora do sono e redução do estresse são importantes como coadjuvantes, mas não substituem a terapia hormonal”, orienta.

Para Talita, a introdução dos hormônios foi fundamental para melhorar sua qualidade de vida, aliada à prática regular de exercícios físicos. “Entramos com uma reposição de hormônios, com estrógeno e progesterona, que tomo até hoje. Nunca tomei hormônios masculinos como testosterona, porque não é algo recomendado para mulheres em menopausa; minha médica foi muito consciente”, afirma.