Vida e Saúde
Estudo da Embrapa revela estratégias para reduzir rejeição a alimentos feitos com insetos
Pesquisa foi publicada na revista científica Journal of Sensory Studies
Um estudo conduzido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) aponta que fatores específicos podem diminuir a rejeição a alimentos nutritivos produzidos à base de insetos. Segundo a pesquisa, publicada na revista científica Journal of Sensory Studies, a combinação de mensagens que destacam benefícios à saúde e atributos sensoriais positivos, somada a informações visuais atrativas, contribui para neutralizar a neofobia alimentar — a resistência em experimentar alimentos desconhecidos.
A preocupação em tornar produtos à base de insetos mais atrativos está alinhada ao alerta do relatório OECD-FAO Agricultural Outlook 2021-2030, elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). O documento indica que as tendências atuais de consumo de carne estão relacionadas a preocupações ambientais e à degradação do planeta.
De acordo com a Embrapa, é fundamental incentivar mudanças não apenas nos sistemas produtivos, mas também nos hábitos alimentares da população.
"Para tanto, fontes alternativas de proteína, como alimentos à base de plantas e insetos, têm sido defendidas como opções sustentáveis para as fontes convencionais de carne", afirma a instituição em comunicado.
O estudo foi realizado em duas etapas, ambas utilizando biscoitos produzidos com farinha de insetos.
“A escolha por biscoitos considerou a familiaridade desse alimento no Brasil. Diversos estudos mostram que a familiaridade é um fator que impulsiona não apenas a aceitação, mas também a disposição para experimentar e adquirir produtos à base de insetos”, explica Rosires Deliza, pesquisadora da Embrapa.
A primeira fase do estudo demonstrou que o uso de mensagens estimulantes, acompanhadas de imagens do produto, aumenta a intenção de compra de biscoitos feitos com farinha de insetos.
"O efeito combinado desses elementos foi especialmente eficaz para superar a resistência inicial em manifestar intenção de compra de um produto não convencional, já que esse tipo de abordagem proporciona não apenas informações, mas também segurança visual, o que pode contribuir para percepções mais positivas do produto", destacam os pesquisadores.
O principal objetivo da segunda etapa foi avaliar se a ênfase em sensações agradáveis proporcionadas pelo produto ou nos benefícios para a saúde poderia reduzir o impacto da neofobia alimentar na intenção de compra.
Segundo Karen Romano, doutoranda da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), assim como na etapa anterior, foram utilizadas mensagens alinhadas aos objetivos motivacionais dos consumidores, como busca por prazer sensorial ou benefícios à saúde, sempre acompanhadas de imagens do produto.
“Os consumidores expostos a informações relacionadas à saúde não só demonstraram maior intenção de comprar os biscoitos, como também os perceberam como mais sustentáveis. Isso sugere que informar sobre esses benefícios pode ser um importante motivador, superando a novidade ou o desconhecimento do produto, principalmente entre consumidores preocupados com sustentabilidade”, afirma Romano.
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