Vida e Saúde

Saúde do pênis pode indicar longevidade? Especialistas avaliam tese de guru da 'juventude eterna'

Teoria foi criada pelo biohacker americano Bryan Johnson, de 48 anos, que faz uso regular de Cialis, aplicações de botox peniano e sessões com ondas de choque para ter desempenho sexual igual ao da juventude

Agência O Globo - 27/01/2026
Saúde do pênis pode indicar longevidade? Especialistas avaliam tese de guru da 'juventude eterna'
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A busca por viver mais — e melhor — tem levado alguns entusiastas da longevidade a caminhos pouco convencionais. Um dos mais conhecidos é o biohacker americano Bryan Johnson, de 48 anos, cuja filosofia pessoal é resumida no mantra “Não morra”. Entre dietas rigorosas, exames constantes e rotinas extremas, Johnson vem chamando atenção por sua abordagem direta à saúde sexual masculina, especialmente à função erétil, que ele considera um indicador relevante da longevidade.

Álcool e cannabis:

Arroz com ovo, mais do que para quebrar um galho:

Johnson faz uso regular de Cialis, submete-se a aplicações de botox peniano e a sessões de terapia por ondas de choque de baixa intensidade para melhorar o fluxo sanguíneo e alcançar um desempenho sexual que, segundo ele, se aproxime ao de um adolescente. Para o biohacker, as ereções noturnas são um marcador central de saúde.

“Ereções noturnas são, tipo, um marcador de saúde muito importante. Homens que não têm ereções noturnas têm 70% mais chances de morrer precocemente. Isso prevê a morte”, afirmou Johnson em 2024.

Ele não está sozinho. O guru fitness Ben Greenfield, de 44 anos, também já relatou experiências com terapias por ondas acústicas e até injeções de células-tronco com o objetivo de otimizar a vitalidade sexual. Mas até que ponto a saúde do pênis pode, de fato, refletir a saúde geral — e a expectativa de vida?

Regra 20/20:

Um termômetro do corpo

Segundo o médico Ryan Welter, pioneiro em terapia celular regenerativa e fundador da Regeneris Medical, a saúde peniana envolve diversos fatores.

“A saúde do pênis é medida de várias formas, [principalmente] disfunção erétil, função orgásmica, libido, satisfação com a relação sexual e satisfação geral”, explicou ao New York Post.

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A disfunção erétil (DE), em especial, já é reconhecida como um sinal precoce de doenças cardiovasculares, podendo surgir de dois a cinco anos antes de um infarto. Isso ocorre porque as artérias penianas são menores do que as que irrigam o coração e o cérebro, tornando-se mais suscetíveis aos primeiros sinais de acúmulo de placas e redução do fluxo sanguíneo.

Além disso, danos nos nervos — comuns com o envelhecimento e associados a doenças como diabetes, esclerose múltipla, Parkinson, Acidente Cardio-Vascular (AVC) e Alzheimer — também comprometem a ereção. Alterações hormonais, como a baixa testosterona, reduzem a libido e a capacidade de obter e manter ereções.

Welter destaca ainda um fator menos discutido, mas decisivo:

Obesidade e hipertensão são

“Além disso, e isso é importante, a felicidade é um dos melhores preditores de longevidade. Disfunção sexual e baixa satisfação sexual são indicadores de infelicidade e precisam ser tratados se a longevidade for o objetivo”, apontou.

Sinais de alerta

Para o enfermeiro estético Chris Bustamante, fundador da clínica masculina Lushful Aesthetics, em Nova York, mudanças graduais são comuns com o passar do tempo.

“Normalmente, os homens passam a ter ereções menos firmes do que antes, dificuldade de mantê-las e alterações nas ereções noturnas e matinais”, afirmou.

Doença na Índia:

Mudanças súbitas e acentuadas na qualidade, frequência ou duração das ereções, especialmente quando acompanhadas de ganho rápido de peso, falta de ar ou fadiga, exigem avaliação médica imediata. Por isso, acompanhar a frequência e a rigidez das ereções matinais e noturnas pode ser útil.

Johnson, por exemplo, utiliza um sensor que monitora suas ereções durante o sono e gera uma pontuação de saúde erétil. Ele também acompanha dados como contagem e mobilidade dos espermatozoides, fluxo sanguíneo peniano, velocidade urinária e tamanho da próstata. Bustamante pondera, no entanto, que as ereções são indicadores mais relevantes do que as características do sêmen.

“Às vezes é normal o volume do sêmen diminuir com a idade”, disse. “Isso também varia muito de homem para homem desde o início”.

Tratamentos e limites do biohacking

Para os especialistas, o tratamento mais importante para a saúde peniana — e para a longevidade — continua sendo básico: alimentação equilibrada, exercícios físicos e boa saúde metabólica.

“O tratamento mais importante para a longevidade e para a extensão da vida saudável, especialmente no que diz respeito ao pênis, é dieta e exercício”, afirmou Welter.

Bustamante recomenda uma dieta rica em frutas, vegetais e fibras, com redução de carnes vermelhas e alimentos ultraprocessados, que elevam a pressão arterial e prejudicam os vasos sanguíneos. Na atividade física, o foco deve ser o ganho de massa muscular, que ele chama de “o órgão da longevidade”. São indicados cerca de 30 minutos diários de exercícios aeróbicos, com uma ressalva curiosa: “Vemos uma correlação maior de disfunção erétil entre ciclistas”, alertou. “Colocar toda essa pressão no períneo acaba danificando nervos e vasos ao longo do tempo”.

Medicamentos como o Cialis, em baixas doses, ajudam a relaxar a musculatura da próstata, do colo da bexiga e do pênis, melhorando o fluxo urinário e facilitando a ereção.

Já os dispositivos mais caros adotados por biohackers dividem opiniões. Terapias por ondas de choque podem estimular o crescimento de novos vasos sanguíneos, mas versões mais suaves, chamadas de ondas acústicas, tendem a ter efeito superficial.

“Não é forte o suficiente para penetrar a profundidade desse tecido”, disse Bustamante. “Acaba não sendo realmente impactante”.

O botox peniano pode proporcionar ereções mais rápidas e firmes, mas seu efeito dura apenas de três a quatro meses. Injeções de células-tronco no pênis, por sua vez, não são aprovadas pela agência reguladora americana e permanecem experimentais, sem comprovação robusta de segurança e eficácia. Bustamante também alerta contra a prática de injetar derivados de esperma de salmão na região, devido ao risco de infecções e reações adversas.

Como alternativa, ele defende aplicações de plasma rico em plaquetas, retirado do próprio sangue do paciente.

“Essas modalidades, como ondas de choque e o P-shot, são realmente benéficas para que as pessoas tenham vidas sexuais melhores”, afirmou.

Entre promessas de longevidade extrema e evidências médicas consolidadas, os especialistas concordam em um ponto: a saúde sexual masculina pode, sim, oferecer pistas importantes sobre o estado geral do organismo — mas não substitui hábitos saudáveis nem acompanhamento médico, muito menos justifica intervenções sem respaldo científico.