Vida e Saúde
Como funciona o repelente? Dermatologista orienta sobre uso correto para proteger contra insetos no verão
Produto é aliado na prevenção de doenças transmitidas por mosquitos, como dengue, zika e febre amarela
Com o aumento das chuvas e das temperaturas típicas do verão, cresce o alerta para casos de dengue e outras doenças transmitidas por mosquitos. Além das medidas tradicionais para evitar a proliferação dos insetos, como eliminar água parada e utilizar mosquiteiros, o uso de repelentes é uma estratégia eficaz na proteção contra essas doenças.
Como age o repelente?
Segundo a dermatologista Glauce Eiko, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o repelente cria um "efeito nuvem" ao redor do corpo após ser aplicado na pele. "Após a aplicação, o produto evapora e forma uma espécie de nuvem de aproximadamente quatro centímetros em volta da pele, o que repele o mosquito", explica a médica.
Qual a melhor forma de aplicar?
Um erro comum é aplicar o repelente sob as roupas, o que reduz a eficácia do "efeito nuvem". O produto deve ser passado sobre os tecidos ou diretamente nas áreas expostas, como rosto, pescoço, braços, mãos e pernas. Glauce Eiko alerta para não usar o produto próximo aos olhos, nariz e boca, para evitar irritações nas mucosas. "Para o rosto, prefira o repelente em creme, que facilita a aplicação e evita as áreas sensíveis. No corpo, o spray é mais prático. Se optar por spray no rosto, aplique primeiro nas mãos", orienta.
Repelente deve ser o último a ser aplicado na pele
Para garantir maior eficácia, o repelente deve ser o último produto aplicado na pele, após hidratantes, maquiagem ou protetor solar. A reaplicação também exige atenção: enquanto o protetor solar geralmente precisa ser renovado a cada duas horas, o tempo de ação do repelente varia conforme o rótulo. Se houver reaplicação do protetor solar, o repelente deve ser passado novamente, sempre por último. O Instituto Butantan recomenda um intervalo de 15 minutos entre cada produto e orienta a não usar o repelente mais de três vezes por dia, para evitar riscos de intoxicação.
Composição e duração dos repelentes
A composição do repelente influencia o tempo de reaplicação. Produtos à base de Icaridina, os mais recomendados, oferecem proteção de até 10 horas na pele e 72 horas nos tecidos. Já aqueles com DEET a 15% (indicado para adultos) duram cerca de 6 horas, enquanto repelentes com IR3535 exigem reaplicação a cada duas horas. Após contato com água ou suor, é necessário reaplicar, independentemente da fórmula.
Glauce Eiko ressalta que o repelente tópico não deve ser usado durante o sono; nesses casos, o ideal é optar pelo repelente elétrico.
Repelentes naturais funcionam?
De acordo com a dermatologista, apenas substâncias como DEET, Icaridina e IR3535 possuem eficácia comprovada e são recomendadas por órgãos de saúde. Repelentes naturais à base de plantas, como citronela ou melaleuca, não têm garantia de proteção contra o mosquito da dengue, pois sua eficácia não é testada. O Instituto Butantan reforça a recomendação para o uso de cosméticos que contenham um desses três componentes na fórmula.
Cuidados e recomendações
É fundamental seguir as instruções do fabricante presentes no rótulo. Após aplicar o repelente, lave as mãos com água e sabão e, em caso de contato com os olhos, enxágue imediatamente com água corrente. Se houver suspeita de reação adversa ou intoxicação, lave a área exposta e procure atendimento médico, levando a embalagem do produto, se possível.
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