Vida e Saúde
Fibra alimentar pode ser reconhecida como nutriente essencial após mais de 50 anos
Pesquisadores defendem que as fibras sejam incluídas na categoria de nutrientes essenciais
Após mais de cinco décadas sem alterações, a lista de nutrientes essenciais pode ganhar um novo integrante: a fibra alimentar. A proposta é defendida por especialistas em nutrição da Universidade de Otago—Ōtākou Whakaihu Waka, na Nova Zelândia, que publicaram um artigo na revista científica Nature Food em defesa desse reconhecimento.
As fibras alimentares trazem diversos benefícios à saúde, como normalizar o funcionamento intestinal, prevenir a constipação, melhorar o controle glicêmico e reduzir o colesterol LDL (conhecido como "mau colesterol").
Existem dois tipos principais de fibras: solúveis e insolúveis. Segundo o Blog de Saúde de Harvard, da Universidade de Harvard, a fibra solúvel se dissolve em água e forma uma espécie de gel, ajudando a diminuir os níveis de colesterol e a regular o açúcar no sangue. Já a fibra insolúvel não se altera ao passar pelo intestino, contribuindo para o aumento do volume das fezes, prevenção da constipação e eliminação de resíduos do organismo.
O professor associado Andrew Reynolds explica que a equipe de pesquisa analisou a relação causal entre a ingestão de fibras e os resultados em saúde, encontrando evidências robustas de benefícios.
De acordo com o estudo, esse argumento é respaldado por mais de um século de pesquisas sobre a química, propriedades físicas, fisiologia e efeitos metabólicos das fibras, além de meta-análises e ensaios clínicos recentes, muitos deles realizados em Otago.
"Ao analisarmos diversos estudos, percebemos que o aumento do consumo de fibras está associado à melhora do peso corporal, colesterol, glicemia e pressão arterial. Acompanhando pessoas ao longo de décadas, observamos menor incidência de doenças cardíacas, diabetes tipo 2, câncer colorretal e menor risco de morte prematura entre aqueles que consomem mais fibras", afirma Reynolds.
Até o momento, a ausência de um quadro clínico de deficiência impedia que as fibras fossem classificadas como essenciais.
"O microbioma intestinal depende quase exclusivamente das fibras alimentares que ingerimos. Um microbioma saudável está ligado a inúmeros benefícios para a saúde, e novos efeitos positivos são descobertos constantemente", destaca o professor Sir Jim Mann, também do Centro de Pesquisa sobre Diabetes e Obesidade Edgar de Otago.
Os pesquisadores defendem que o reconhecimento e a priorização das fibras são fundamentais, principalmente por serem facilmente acessíveis e presentes em grande parte dos vegetais, sejam frescos, congelados ou enlatados.
"Focar no aumento do consumo de alimentos ricos em fibras, como grãos integrais, leguminosas, vegetais e frutas in natura, provavelmente proporcionará benefícios substanciais à saúde", conclui Reynolds.
Mais lidas
-
1ELEIÇÕES 2026
Datafolha e Real Time Big Data divulgam pesquisas para presidente esta semana
-
2DIREITOS TRABALHISTAS
Quinto dia útil de abril de 2026: veja a data limite para pagamento de salários
-
3DIREITOS TRABALHISTAS
Quinto dia útil de abril de 2026: confira a data limite para pagamento dos salários
-
4TÊNIS DE MESA
Hugo Calderano domina Alexis Lebrun e avança às semifinais da Copa do Mundo
-
5GEOPOLÍTICA
Chegada de navio petroleiro russo a Cuba é considerada vitória política e simbólica