Vida e Saúde
Injeção semestral que previne HIV: acordo com Fiocruz poderá permitir produção do novo medicamento no Brasil; entenda
Entidades assinaram um memorando para avaliar alternativas de cooperação, entre elas a transferência de tecnologia para fabricação em Farmanguinhos
A Fundação Oswaldo Cruz () e a Gilead Sciences, farmacêutica responsável pela injeção semestral que previne o em quase 100%, assinaram um memorando que pode permitir a produção do medicamento no Brasil. O lenacapavir foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no último dia 12.
Em nota, o laboratório diz que mantém “discussões ativas com diversas entidades no país, incluindo o Ministério da Saúde”, ao qual a Fiocruz é vinculada, para “explorar caminhos que permitam disponibilizar o lenacapavir para PrEP (profilaxia pré-exposição ao HIV)” no país.
“Como parte desses esforços, a Gilead já assinou um Memorando de Entendimento (MoU) com a Fiocruz Farmanguinhos, com o objetivo de avaliar alternativas de cooperação, incluindo o potencial de uma futura transferência de tecnologia com fabricação local”, continua.
Um acordo de transferência de tecnologia poderá permitir que a Fiocruz já comece a produzir o lenacapavir no Brasil antes do período da patente do medicamento chegar ao fim, o que leva anos.
De acordo com o Instituto de Tecnologia em Fármacos da Fiocruz (Farmanguinhos), o memorando foi firmado ainda em maio do ano passado, mas não formaliza ainda um compromisso entre as entidades.
“O documento estabelece as bases para a avaliação, discussão e análise de medicamentos inovadores para prevenção de HIV/aids, que possam contribuir com as políticas do Sistema Único de Saúde (SUS)”, diz em nota.
O principal benefício de uma possível transferência de tecnologia seria conseguir valores mais acessíveis para o remédio, especialmente no cenário de uma possível oferta no SUS.
Hoje, a rede pública já oferece uma modalidade de PrEP com comprimidos, que também reduzem o risco de infecção a quase zero, mas o fato de precisarem ser tomados todos os dias é um entrave para a adesão.
Já o lenacapavir, que será vendido sob o nome comercial de Sunlenca no Brasil, precisa de apenas duas injeções ao ano. Ele foi aprovado para pessoas que não vivem com o vírus, tenham idade acima de 12 anos e peso maior que 35 kg.
Ainda não há previsão de lançamento e de valores do remédio no Brasil. Primeiro, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) precisa definir o preço máximo. Já a disponibilização no SUS, como ocorre com os comprimidos, depende da avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e da análise pelo Ministério da Saúde.
Nos Estados Unidos, porém, o tratamento custa mais de 28 mil dólares por pessoa a cada ano (cerca de R$ 150 mil na cotação atual), o que faz com que nenhum sistema de saúde tenha conseguido implementar o lenacapavir até agora.
Pelo mundo, a Gilead chegou a anunciar acordos com fabricantes para produzir e vender versões genéricas do medicamento em 120 países de alta incidência de HIV e com recursos limitados, principalmente os de média e baixa renda.
Mas o Brasil ficou de fora, assim como outros países importantes da América do Sul, Ásia e Europa, o que foi criticado por pesquisadores da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, autores de um estudo que estimou que o remédio poderia ser vendido por somente 25 dólares e gerar lucro.
Ainda assim, a Gilead afirma estar “comprometida com o desenvolvimento de uma estratégia de precificação equitativa e sustentável, que reflita o valor da inovação para o sistema de saúde e contribua para ampliar o acesso entre populações-chave” no Brasil.
Em paralelo ao possível acordo de transferência de tecnologia, a Fiocruz vai dar início a um estudo em 7 cidades brasileiras para avaliar a viabilidade da implementação do lenacapavir no SUS. São elas: Rio de Janeiro (RJ); Nova Iguaçu (RJ); São Paulo (SP); Campinas (SP); Salvador (BA); Florianópolis (SC) e Manaus (AM).
A pesquisa conta com financiamento da Unitaid, apoio do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), da Fiocruz, e do Ministério da Saúde, além da doação dos medicamentos pela Gilead Sciences. O projeto está na fase final de atividades preparatórias para, em breve, dar início à inclusão dos participantes.
O estudo é voltado a públicos-alvo mais vulneráveis à exposição ao HIV, incluindo gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens cisgênero e pessoas transgênero e não-binárias designadas como do sexo masculino no nascimento, de 16 a 30 anos, com ou sem uso prévio de outras formas de PrEP.
Em julho do ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o lenacapavir como parte da estratégia de prevenção combinada, que mistura diferentes ferramentas, como uso de preservativo, testagem e PrEP. Na época, a organização disse que a injeção é o mais próximo que existe hoje de uma vacina e chamou a medida de “uma ação política histórica que poderia ajudar a remodelar a resposta global ao HIV”.
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