Vida e Saúde
‘IMC metabólico’ pode indicar risco até 5 vezes maior de doenças mesmo em pessoas com peso normal
Trabalho foi publicado na revista científica Nature Medicine
Novas evidências científicas apontam limitações no Índice de Massa Corporal (IMC) convencional para identificar o risco real de doenças cardiometabólicas, aquelas que afetam o coração e o metabolismo. Segundo um estudo recente, o chamado IMC metabólico pode revelar um risco até cinco vezes maior de desenvolver doenças, mesmo em pessoas com peso considerado normal.
A pesquisa, publicada na revista científica Nature Medicine, demonstrou que um IMC metabólico elevado está associado de duas a cinco vezes mais risco para diversas condições, como fígado gorduroso, diabetes, obesidade abdominal, resistência à insulina e até mesmo menor perda de peso após cirurgia bariátrica.
O IMC metabólico, desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, avalia centenas de pequenas moléculas no sangue que refletem o metabolismo celular, oferecendo um retrato muito mais preciso da saúde metabólica e do risco cardiovascular do que o IMC tradicional. Para chegar aos resultados, foram analisados dados de mais de mil participantes.
“Nosso metIMC revela um distúrbio metabólico oculto que nem sempre é visível na balança. Duas pessoas com o mesmo IMC podem ter perfis de risco completamente diferentes, dependendo de como seu metabolismo e tecido adiposo funcionam”, explica Rima Chakaroun, pesquisadora da Academia Sahlgrenska da Universidade de Gotemburgo e primeira autora do estudo.
Outro achado relevante foi a associação entre o IMC metabólico (IMC-m) e a composição da microbiota intestinal. Indivíduos com IMC-m elevado apresentaram menor diversidade bacteriana e menor capacidade de decompor fibras alimentares em ácido butírico, substância ligada à inflamação e ao aumento do risco de doenças.
“O IMC tradicional muitas vezes não identifica pessoas com peso normal, mas com alto risco metabólico. O metIMC pode contribuir para uma avaliação mais justa e precisa do risco de doenças, abrindo caminho para uma prevenção e um tratamento mais personalizados”, destaca Fredrik Bäckhed, professor da Academia Sahlgrenska, Universidade de Gotemburgo.
Os pesquisadores também ressaltam que fatores genéticos têm menor influência sobre o IMC metabólico, quando comparados ao estilo de vida e ao ambiente.
“Os metabólitos que contribuem significativamente para a previsão do IMC metabólico são, na verdade, modulados ou produzidos pela microbiota intestinal, funcionando como uma espécie de indicador metabólico”, conclui Bäckhed.
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