Vida e Saúde

‘IMC metabólico’ pode indicar risco até 5 vezes maior de doenças mesmo em pessoas com peso normal

Trabalho foi publicado na revista científica Nature Medicine

Agência O Globo - 21/01/2026
‘IMC metabólico’ pode indicar risco até 5 vezes maior de doenças mesmo em pessoas com peso normal
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Novas evidências científicas apontam limitações no Índice de Massa Corporal (IMC) convencional para identificar o risco real de doenças cardiometabólicas, aquelas que afetam o coração e o metabolismo. Segundo um estudo recente, o chamado IMC metabólico pode revelar um risco até cinco vezes maior de desenvolver doenças, mesmo em pessoas com peso considerado normal.

A pesquisa, publicada na revista científica Nature Medicine, demonstrou que um IMC metabólico elevado está associado de duas a cinco vezes mais risco para diversas condições, como fígado gorduroso, diabetes, obesidade abdominal, resistência à insulina e até mesmo menor perda de peso após cirurgia bariátrica.

O IMC metabólico, desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, avalia centenas de pequenas moléculas no sangue que refletem o metabolismo celular, oferecendo um retrato muito mais preciso da saúde metabólica e do risco cardiovascular do que o IMC tradicional. Para chegar aos resultados, foram analisados dados de mais de mil participantes.

“Nosso metIMC revela um distúrbio metabólico oculto que nem sempre é visível na balança. Duas pessoas com o mesmo IMC podem ter perfis de risco completamente diferentes, dependendo de como seu metabolismo e tecido adiposo funcionam”, explica Rima Chakaroun, pesquisadora da Academia Sahlgrenska da Universidade de Gotemburgo e primeira autora do estudo.

Outro achado relevante foi a associação entre o IMC metabólico (IMC-m) e a composição da microbiota intestinal. Indivíduos com IMC-m elevado apresentaram menor diversidade bacteriana e menor capacidade de decompor fibras alimentares em ácido butírico, substância ligada à inflamação e ao aumento do risco de doenças.

“O IMC tradicional muitas vezes não identifica pessoas com peso normal, mas com alto risco metabólico. O metIMC pode contribuir para uma avaliação mais justa e precisa do risco de doenças, abrindo caminho para uma prevenção e um tratamento mais personalizados”, destaca Fredrik Bäckhed, professor da Academia Sahlgrenska, Universidade de Gotemburgo.

Os pesquisadores também ressaltam que fatores genéticos têm menor influência sobre o IMC metabólico, quando comparados ao estilo de vida e ao ambiente.

“Os metabólitos que contribuem significativamente para a previsão do IMC metabólico são, na verdade, modulados ou produzidos pela microbiota intestinal, funcionando como uma espécie de indicador metabólico”, conclui Bäckhed.