Vida e Saúde

Não é só malhar: combinar diferentes tipos de atividade física é a melhor opção para uma vida mais longa, diz estudo

Cientistas analisaram dados de mais de 11 mil pessoas ao longo de 30 anos para chegar aos resultados

Agência O Globo - 21/01/2026
Não é só malhar: combinar diferentes tipos de atividade física é a melhor opção para uma vida mais longa, diz estudo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Adotar um estilo de vida ativo é fundamental, mas diversificar as atividades físicas pode ser ainda mais eficaz para aumentar a longevidade. É o que aponta um novo estudo publicado na revista BMJ Medicine.

Os pesquisadores analisaram dados de dois grandes estudos de coorte, acompanhando participantes ao longo de mais de 30 anos: o Nurses' Health Study (com 121.700 mulheres) e o Health Professionals Follow-Up Study (com 51.529 homens).

Os voluntários informavam periodicamente suas características pessoais, histórico médico e hábitos de vida, respondendo a questionários a cada dois anos desde a inscrição. Entre as atividades monitoradas estavam caminhada, jogging, corrida, ciclismo (inclusive em bicicletas ergométricas), natação em raias, remo ou calistenia, tênis e squash, desde 1986.

Com o tempo, foram incluídas questões sobre musculação ou exercícios de resistência; práticas de baixa intensidade, como ioga, alongamento e tonificação; atividades vigorosas, como cortar grama; tarefas ao ar livre de intensidade moderada, como manutenção e jardinagem; e atividades intensas, como cavar e cortar.

Os participantes também relataram a frequência com que subiam escadas.

Resultados

A análise considerou 111.467 participantes: 70.725 do Nurses' Health Study e 40.742 do Health Professionals Follow-Up Study. O número máximo de modalidades relatadas foi de 11 no primeiro estudo e 13 no segundo.

Caminhar foi a atividade de lazer mais comum em ambos os grupos, com os homens praticando corrida e jogging com mais frequência do que as mulheres.

Quem praticava mais atividades físicas apresentava menor incidência de fatores de risco à saúde, como tabagismo, hipertensão e colesterol alto, além de menor peso corporal, consumo moderado de álcool, alimentação mais saudável, maior integração social e prática regular de exercícios.

No período de acompanhamento, que superou 30 anos, foram registradas 38.847 mortes — 9.901 por doenças cardiovasculares, 10.719 por câncer e 3.159 por doenças respiratórias.

A prática regular de atividade física total e a maioria das modalidades individuais, exceto natação, esteve associada a menor risco de morte por todas as causas. Caminhar, por exemplo, reduziu em 17% o risco de morte, enquanto subir escadas diminuiu o risco em 10%.

Outras atividades apresentaram as seguintes reduções de risco: tênis e squash (15%), remo ou calistenia (14%), musculação ou exercícios de resistência (13%), corrida (13%), caminhada (11%) e ciclismo (4%).

A variedade de modalidades também se destacou: quem praticava mais tipos de atividade física teve uma redução de 19% no risco de morte por todas as causas, além de queda de 13% a 41% no risco de morte por doenças cardiovasculares, câncer, doenças respiratórias e outras causas, mesmo após ajuste para a quantidade total de exercício.

Os autores ressaltam, contudo, que o estudo possui limitações, por ser observacional e depender de relatos dos próprios participantes, o que pode afetar a precisão dos dados. Outro ponto é que a maioria dos voluntários era branca, o que pode limitar a generalização dos resultados.

"De modo geral, esses dados corroboram a ideia de que o envolvimento a longo prazo em múltiplos tipos de atividade física pode ajudar a prolongar a expectativa de vida", concluíram os pesquisadores.