Vida e Saúde
Afogamento seco e secundário: entenda como ocorrem e saiba como proteger as crianças
Embora diferentes, ambos os tipos de afogamento apresentam riscos graves à saúde infantil
O termo afogamento seco refere-se a um processo em que a pessoa não apresenta uma quantidade significativa de água nos pulmões, conforme explica o otorrinolaringologista Marco Antonio Viana, do Grupo Fleury.
— Ocorre devido a um reflexo involuntário chamado laringoespasmo, no qual as cordas vocais se contraem intensamente, bloqueando a entrada de ar para os pulmões — detalha o especialista.
O laringoespasmo é provocado pela entrada de pequenas quantidades de água nas vias aéreas superiores, podendo causar asfixia. Além disso, o contato desses resquícios de água com os brônquios pode desencadear broncoespasmo.
— Essa pequena quantidade de água irrita a via respiratória, que acaba inflamando. Uma vez inflamada, ela reduz seu calibre e diminui a capacidade de passagem de ar — explica Caio Fernandes, professor colaborador de pneumologia da Universidade de São Paulo (USP) e médico do Hospital Sírio-Libanês.
A redução do processo de oxigenação pode gerar consequências graves, incluindo perda de consciência e, em situações extremas, levar à morte.
Já o afogamento secundário, segundo Viana, ocorre horas ou até dias após um episódio de quase afogamento. Nessa condição, há um edema pulmonar tardio, uma inflamação e irritação dos tecidos pulmonares devido à água aspirada.
— Essa condição pode impedir que os pulmões oxigenem o sangue adequadamente, causando dificuldades respiratórias progressivas, que podem se agravar com o tempo — esclarece o otorrinolaringologista.
Principais sintomas
No afogamento seco, os sintomas mais comuns são:
- Dificuldade respiratória
- Tosse persistente
- Rouquidão ou alteração na voz
- Dor no peito
- Fadiga ou letargia
No afogamento secundário, podem surgir:
- Dificuldade respiratória (após horas ou dias)
- Tosse persistente
- Dor no peito
- Mudança de comportamento (irritabilidade, confusão)
- Fadiga extrema
- Vômito
Cuidados com crianças em ambientes aquáticos
Devido ao risco aumentado para crianças, os especialistas recomendam atenção redobrada em locais com água, como piscinas e praias. O principal cuidado, segundo Viana, é encaminhar imediatamente ao pronto-socorro qualquer criança que passe por um incidente de afogamento, mesmo que leve e com recuperação rápida.
Caio Fernandes ressalta que crianças com doenças respiratórias devem estar com as condições devidamente controladas antes de entrar na água.
— Se a doença estiver fora de controle, pequenos estímulos podem desencadear crises graves. Além disso, optar por locais onde a água tenha menos agentes irritantes ao sistema respiratório ajuda a evitar o afogamento seco — orienta o pneumologista.
Outras recomendações de Viana incluem: nunca deixar crianças sem supervisão em ambientes aquáticos; ensinar a nadar desde cedo; e não confiar apenas na habilidade de natação.
— Crianças podem passar mal subitamente ou ficar presas em objetos na piscina. Por isso, a supervisão constante é fundamental, como se fosse um salva-vidas — conclui o otorrinolaringologista.
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