Vida e Saúde
Estudo aponta limite saudável de horas semanais em videogames
Trabalho foi publicado na revista científica Nutrients
O hábito de jogar videogames faz parte da rotina de muitos brasileiros, servindo como uma forma de lazer e desconexão. No entanto, dedicar mais de 10 horas semanais a esse passatempo pode impactar negativamente a alimentação, o sono e o peso corporal dos jovens, conforme revela um novo estudo.
A pesquisa, conduzida pela Universidade Curtin, na Austrália, identificou uma piora significativa na saúde dos jovens que ultrapassavam esse limite semanal de jogos. Segundo os dados, houve queda na qualidade alimentar e maior prevalência de obesidade entre os chamados jogadores frequentes, em comparação com os grupos de jogadores ocasionais e moderados.
"Cada hora adicional de jogos por semana foi associada a uma diminuição na qualidade da dieta, mesmo após considerar o estresse, a atividade física e outros fatores de estilo de vida", explica Mario Siervo, da Escola de Saúde Populacional de Curtin.
O pesquisador ressalta que o principal problema é o uso excessivo dos jogos eletrônicos, independentemente da plataforma, e não os jogos em si. "Este estudo não prova que os jogos eletrônicos causem esses problemas, mas mostra um padrão claro de que o uso excessivo pode estar ligado a um aumento nos fatores de risco à saúde", afirma.
Outro ponto observado é que muitos participantes começaram a jogar ainda na infância — a idade mediana de início foi de 8 anos — e relataram aumento do tempo de jogo em comparação com cinco anos atrás, sugerindo que os padrões estabelecidos na infância e adolescência podem persistir e até se intensificar após o ensino médio.
O estudo entrevistou 317 estudantes de cinco universidades australianas, com idade média de 20 anos, dividindo-os em três grupos conforme o tempo dedicado aos jogos: "jogadores ocasionais" (0 a 5 horas por semana), "jogadores moderados" (5 a 10 horas) e "jogadores assíduos" (mais de 10 horas semanais).
Os resultados mostraram que jogadores frequentes apresentaram índice de massa corporal (IMC) mediano de 26,3 kg/m², acima da faixa saudável de 22,2 kg/m² e 22,8 kg/m² observada nos jogadores ocasionais e moderados, respectivamente. As conclusões foram publicadas na revista científica Nutrients.
Os autores do estudo recomendam intervenções educativas para promover práticas de jogos mais saudáveis, como limites de tempo, pausas frequentes e evitar jogos antes de dormir, além de incentivar lanches mais saudáveis e pausas para movimentos físicos, a fim de mitigar os impactos negativos à saúde.
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