Vida e Saúde

Ministério da Saúde rejeita parceria para produção nacional da vacina da dengue pela Fiocruz

Pasta afirma que proposta não cumpriu "requisitos mínimos" para Parceria de Desenvolvimento Produtivo; Fiocruz admite limitações na produção

Agência O Globo - 10/01/2026
Ministério da Saúde rejeita parceria para produção nacional da vacina da dengue pela Fiocruz
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Ministério da Saúde negou o pedido da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para firmar uma Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP) com a farmacêutica Takeda, visando à fabricação nacional da vacina contra a dengue, aplicada em duas doses. A parceria permitiria que o imunizante fosse produzido nas instalações da Fiocruz, reduzindo a dependência da importação, caso a capacidade fabril fosse estabelecida.

Em nota enviada ao jornal O Globo, o Ministério da Saúde esclareceu que a proposta entre Takeda e Bio-Manguinhos (Fiocruz) "não atendeu a requisitos mínimos para participação no Programa. O projeto não assegurava o acesso integral ao conhecimento de produção do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), impossibilitando a produção nacional do produto, sendo esse o principal pilar do programa do Governo Federal".

A Fiocruz, por sua vez, informou que a produção da vacina da Takeda, chamada Qdenga, exigiria o uso de plataformas tecnológicas já empregadas na fabricação de outras vacinas. "Considerando as instalações atuais, portanto, a eventual produção do IFA para esse imunizante ficaria limitada", reconheceu a instituição.

Na prática, a Fiocruz admite que não haveria capacidade instalada suficiente para produzir integralmente a vacina da Takeda em suas fábricas. Dessa forma, ao solicitar autorização para produzir o imunizante no Brasil, a fundação não contemplou a fabricação do IFA em território nacional — etapa considerada fundamental pelo Governo Federal para a formalização das parcerias.

Diante desse cenário, a Fiocruz informou que não apresentará novo pedido ao Ministério da Saúde, inviabilizando, assim, a produção nacional da vacina Qdenga.

Em nota, a Takeda afirmou que "esteve preparada e disposta para viabilizar a parceria" e que permanece aberta ao diálogo com o Ministério da Saúde e o Governo Federal para "contribuir com soluções que ampliem o acesso e fortaleçam a capacidade nacional de imunização".

Atualmente, a vacina Qdenga já está disponível para adolescentes brasileiros de 10 a 14 anos. Em entrevista ao O Globo, em dezembro, o presidente da Takeda projetou a entrega de 18 milhões de doses ao Brasil entre 2026 e 2027 — número também anunciado pelo ministro Alexandre Padilha em coletiva de imprensa em novembro do ano passado.