Vida e Saúde
EUA reduzem recomendação de vacinas infantis em mudança histórica
País diminui incentivos para imunização contra seis doenças, incluindo rotavírus, influenza, meningite meningocócica e hepatite A
O governo Trump anunciou, nesta segunda-feira, uma reformulação no calendário federal de vacinação pediátrica dos Estados Unidos, revertendo anos de recomendações científicas que contribuíram para a redução de doenças por meio da vacinação rotineira.
Entenda a mudança:
A medida, divulgada pelo Departamento de Saúde dos EUA — atualmente sob liderança do cético em relação às vacinas Robert F. Kennedy Jr. — determina que o país deixe de recomendar a imunização universal de crianças contra seis doenças, entre elas rotavírus, influenza (gripe), meningite meningocócica e hepatite A.
A cobertura vacinal permanece para 11 doenças consideradas mais graves, como sarampo, poliomielite e catapora, que continuam na lista principal de imunizações recomendadas para todas as crianças. Outra alteração importante é a recomendação de apenas uma dose da vacina contra o HPV, substituindo o esquema anterior de duas doses.
A decisão gerou intenso debate entre profissionais de saúde, que alertam para os possíveis impactos negativos caso a adesão à vacinação diminua. Especialistas temem que a redução nas recomendações comprometa a confiança nas vacinas essenciais e favoreça o ressurgimento de doenças preveníveis, especialmente em um cenário de surtos de sarampo e outras enfermidades.
“Vacinas salvam vidas, permitindo que indivíduos, famílias, comunidades, economias e nações prosperem”, afirmou o Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, ao Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), ao comentar dados que mostram avanços globais na proteção infantil, mesmo diante de desafios crescentes.
Segundo relatório divulgado em julho do ano passado, apesar do aumento da cobertura vacinal, quase 20 milhões de crianças deixaram de receber alguma das doses necessárias da vacina DTP (contra difteria, tétano e coqueluche) em 2023. Dentre elas, 14,3 milhões são consideradas “zero-dose”, ou seja, nunca receberam nenhuma dose de qualquer vacina — número 4 milhões acima da meta para 2024 e 1,4 milhão maior que o registrado em 2019, ano base para o acompanhamento do progresso.
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