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Thaís Campolina lança “enxame” na Flip 2026: uma poética da animalidade e do corpo como ecossistema

Nova obra da poeta mineira investiga a selva doméstica e a memória celular em versos que transitam entre a colmeia, a onça e o bando

Bruno Inácio 17/07/2026
Thaís Campolina lança “enxame” na Flip 2026: uma poética da animalidade e do corpo como ecossistema

Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) 2026, que acontece entre 22 e 26 de julho, será palco do lançamento de “enxame” , novo livro de poesia de Thaís Campolina (editora orlando). Na obra, a autora de “eu investigo qualquer coisa sem registro” e “estado febril” constrói uma poética na qual o espaço doméstico e o instinto selvagem se fundem com naturalidade, transformando a casa e o próprio corpo em ecossistemas vivos e pulsantes. O blurb é assinado pela escritora Dia Bárbara Nobre, o texto de orelha pela também escritora Bárbara Mançanares e o posfácio é de Maria Emanuelle Osório Prates, escritora, educadora popular, ativista ambiental, etnoecóloga e doutoranda em Biodiversidade e Uso dos Recursos Naturais.

A autora fará sessão de autógrafos no dia 23 de julho, quinta-feira, às 12h, no estande da com.tato, localizado na Casa Escreva, Garota!. No mesmo dia, às 17h, será host do Sarau das Escreviventes, na Casa Tyiwaras Neomarginais. Na sexta-feira, dia 24, às 11h, integrará uma mesa de conversa com o tema “Clubes de Leitura e Práticas Coletivas”, no Sesc Santa Rita. No mesmo dia, às 19h, integra a mesa “Corpo, natureza e poesia: o humano e o mais-que-humano”, que ocorre no espaço da editora orlando, na Casa Opera.

Com uma linguagem precisa e madura, Thaís utiliza metáforas zoológicas e anatômicas para mapear inquietações. O livro é dividido em seções que evocam diferentes agrupamentos animais — “A Colmeia”, “A Onça”, “O Bando”, “Rotas Migratórias” e “O Zumbido” — e cada uma delas investiga, à sua maneira, a intrincada relação entre o humano e o bicho. “Um fóssil não é uma ossada, é uma cicatriz preservada do movimento de um corpo caindo”, escreve a poeta, definindo o tom de uma obra que se debruça sobre vestígios, memórias e transformações.

A poeta Ana Estaregui, no poema que abre o volume, define o gesto central do livro: “um poema não termina / até que encontre no ouvido / de quem lê / o outro que o habita / duas vozes / à procura do enxame”. É essa busca por uma voz múltipla, que se desdobra em enxame, que guia os versos de Thaís Campolina. “um pássaro sozinho é só um pássaro sozinho / uma revoada de pássaros é muito maior que isso”, lê-se em um dos poemas, ecoando a ideia de que a potência está no coletivo, no agrupamento, na comunhão entre espécies.

Dia Bárbara Nobre destaca que “mais do que um livro de poesia, é um convite irrecusável para nos deixarmos devorar de dentro para fora”. Já a escritora Bárbara Mançanares ressalta a potência luminosa da escuridão como prerrogativa para o retorno ao sonho: “cada poema é um fóssil de beleza estarrecedora”. A orelha do livro aponta ainda para a figura da voz poética como uma “Indiana Jones mineira”, que nos convida a romper a casca e adentrar a língua.

“venho do faroeste mineiro / onde grande parte do ano / o céu parece derramar prosecco / na população / que sem abandonar / as britadeiras busca na terra / alguma coisa que não seja / poeira”, escreve Thaís, ancorando sua poesia na paisagem de Minas Gerais e na experiência de quem habita um território de britadeiras e poeira, mas também de afetos e bichos. A mineiridade, no entanto, não é um fim em si mesma, mas um ponto de partida para uma reflexão mais ampla sobre o corpo, a memória e a animalidade que nos constitui.

O corpo, em “enxame”, é território de conflito e acolhimento. A poeta investiga desde a memória celular de um peixe abissal até a gestação de um teratoma, passando pela pele de lagartixa e pelas garras de gata. “sou uma praga / acostumada a se atacar / para nunca ficar / sem o que roer”, afirma um dos versos, numa imagem que a posfaciadora Maria Emanuelle Osório Prates conecta às doenças autoimunes, lembrando que as mulheres são 78% das pessoas afetadas por esse tipo de condição. A leitura de Thaís, segundo Prates, “para além da dimensão ecológica e contemporânea de seus versos, me leva a reflexões imunológicas”.

“enxame” chega ao público em um momento de efervescência da poesia brasileira contemporânea, trazendo a voz de uma autora que já se consolidou como uma das vozes mais instigantes de sua geração. O livro é dedicado a Tagore e Adelaide, seus gatos, numa homenagem que já anuncia o tom afetuoso e selvagem que percorre toda a obra.

Sobre a autora

Thaís Campolina (Divinópolis, 1989) é autora dos livros de poesia “eu investigo qualquer coisa sem registro” (Crivo Editorial, 2021) e “estado febril” (Macabéa, 2024), além das plaquetes “noticiosas”“línguas soltas” (Primata, 2024) e “frigideira” (Tato Literário, 2024). Publicou também o conto “Maria Eduarda não precisa de uma tábua ouija” (2020) em formato ebook. É mediadora de leitura nos clubes Cidade Solitária, Leia Mulheres Divinópolis e Casa das Poetas, e curadora da página Bafo de Poesia.

Sobre a orlando

A editora orlando, fundada pelos jornalistas Karol Lopes, Marcela Güther e Vincent Sesering (também sócios da agência de comunicação literária com.tato), nasceu para dar voz a escritores independentes com qualidade e profissionalismo. Com o lema “Histórias que desafiam o tempo”, oferece serviços completos de edição, revisão, design e divulgação, além de catálogos organizados em selos específicos: ziguezague (infantil), dobradura (poesia), espiral (ficção) e brecha (não ficção). Mais que publicar livros, aposta em estratégias de visibilidade para conectar autores e leitores. Saiba mais em editoraorlando.com.br e no Instagram @editoraorlando.

Agenda | Flip 2026

23 de julho (quinta-feira)

12h – Sessão de autógrafos de enxame

 Local: estande da com.tato, na Casa Escreva, Garota!

17h – Host do Sarau das Escreviventes

 Local: Casa Tyiwaras Neomarginais

24 de julho (sexta-feira)

11h – Mesa "Clubes de Leitura e Práticas Coletivas"

 Local: Sesc Santa Rita

19h – Mesa "Corpo, natureza e poesia: o humano e o mais-que-humano"

 Local: espaço da editora orlando, na Casa Opera