Variedades
Entre terra, sangue e prazer: Carolina Santos lança o premiado Bocas Mestiças na Flip 2026
Vencedor do 2º Prêmio Tato Literário, livro reúne contos escritos ao longo de 12 anos que transformam experiências íntimas em reflexão sobre o Brasil contemporâneo
17/07/2026
| A editora orlando apresenta na 24ª Feira Literária Internacional de Paraty (Flip) o lançamento de Bocas Mestiças, da escritora e socióloga goiana Carolina Santos. Vencedor do 2º Prêmio Tato Literário na categoria Contos, o livro reúne narrativas interligadas que formam um mosaico sobre identidade, ancestralidade e resistência no Brasil. Com uma prosa que transita entre realismo, lirismo e elementos fantásticos, a obra coloca em cena personagens em conflito com as imposições de raça, gênero, classe e família. A autora lança a obra no dia 24 de julho, sexta-feira, às 15h, em sessão de autógrafo no espaço da editora orlando na Casa Opera, no Centro Histórico de Paraty. Antes, às 14h, no mesmo local, participa da mesa de conversa “Classismo, racismo e ascensão social na literatura brasileira”, com os autores Maurício Mendes, Marcelo Nery e Rafael Caneca. O título já anuncia o que o leitor encontrará: “Bocas mestiças é para quem não tem medo de sujar as mãos de terra, de leite, de sangue e de prazer. É para quem sabe que a guerra nunca terminou. E que a poesia e a literatura, muitas vezes, são as únicas armas que nos restam”. Mulheres, crianças e corpos dissidentes ocupam o centro da cena não como vítimas, mas como forças vivas que dançam, gozam, resistem e reinventam o mundo em meio ao caos. O percurso de escrita do livro é também uma travessia pessoal e política da autora. “A diferença entre eles é de 12 anos, 3 eleições presidenciais e 3 copas do mundo”, conta Carolina Santos, referindo-se ao intervalo entre o primeiro conto escrito, “Colar Essencial”, e o último, “Sem carne e em chamas”. “Eu comecei com a história de uma mulher jovem e solteira buscando sua revolução erótica e íntima, na defesa de uma solidão prazerosa e terminei com uma mulher que se vê empurrada de forma violenta e até mesmo trágica para uma revolução íntima e política”. É nesse arco que o livro explora o que as feministas dos anos 1960 já anunciavam: o pessoal é político. A narrativa de abertura, que conduz o leitor das margens do rio Araguaia às periferias de Brasília, é um exemplo contundente dessa costura entre violência histórica e desejo de liberdade. Outros contos mergulham em Brasília como personagem — “cidade construída sobre a terra vermelha do Cerrado, promessa de futuro erguida sobre camadas de memória e violência” — e na boca como símbolo do lugar da palavra e do desejo, onde diferentes heranças se tornam mestiças. “Bocas Mestiças é um livro sobre corpos em disputa”, resume a autora. “Os contos abordam ancestralidade, raça, gênero, desejo, erotismo, afetos, espiritualidade, memória e território”. Ao lado de narrativas sobre colonialismo, mestiçagem e desigualdades sociais, o livro dedica atenção especial ao erotismo feminino e aos modos pelos quais mulheres e corpos dissidentes reivindicam autonomia sobre seus desejos. “O prazer aparece não como tema secundário, mas como força política, espiritual e transformadora”. A escrita de Carolina Santos bebe de fontes diversas: Jorge Amado, Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Mia Couto, Conceição Evaristo, Gloria Anzaldúa e María Lugones estão entre suas principais referências. “Aprendi com eles que território, linguagem, memória e corpo podem ser inseparáveis”. As epígrafes do livro — um trecho de María Lugones sobre a mestiçagem e outro de Jorge Amado — já anunciam esse diálogo. A obra também reflete a trajetória da autora, que entrelaça literatura e ativismo. Formada em Ciências Sociais pela UFG e mestre em Literatura Pós-Colonial e Estudos de Gênero pelas universidades de Bolonha e Granada, Carolina Santos atuou por anos na defesa dos direitos das mulheres “Sinto como se eu estivesse constantemente viajando entre-mundos”, diz sobre uma escrita atravessada pelo Cerrado, pela experiência da mestiçagem e pelo deslocamento entre diferentes geografias e linguagens. Sobre a autora Carolina Santos é escritora e socióloga goiana, radicada em Brasília. Mestre em Literatura Pós-Colonial e Estudos de Gênero pelas universidades de Bolonha e Granada, escreve sobre corpo, desejo, memória e ancestralidade. Sua ficção dialoga com os feminismos, a colonialidade e as paisagens do Cerrado brasileiro. É vencedora de prêmios como o Agente Jovem de Cultura (2011), Expressões Culturais Afro-Brasileiras (2012) e o Tato Literário (2025), e foi finalista do Prêmio Sesc de Literatura em 2014. Sobre a orlando A editora orlando, fundada pelos jornalistas Karol Lopes, Marcela Güther e Vincent Sesering (também sócios da agência de comunicação literária com.tato), nasceu para dar voz a escritores independentes com qualidade e profissionalismo. Com o lema “Histórias que desafiam o tempo”, oferece serviços completos de edição, revisão, design e divulgação, além de catálogos organizados em selos específicos: ziguezague (infantil), dobradura (poesia), espiral (ficção) e brecha (não ficção). Mais que publicar livros, aposta em estratégias de visibilidade para conectar autores e leitores. Saiba mais em editoraorlando.com.br e no Instagram @editoraorlando. Lançamento na Flip: Bocas Mestiças, de Carolina Santos Data: 24 de julho, sexta-feira Onde: espaço da orlando, na Casa Opera, no Centro Histórico de Paraty (RJ) Horário: 14h (roda de conversa) e 15h (sessão de autógrafos) Adquira no site da editora orlando: https://editoraorlando.com.br/produto/bocas-mesticas/ |
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