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Hyldon revisita memórias da juventude no blues “Fã do Sanduíche”

Redação com agências 10/03/2026
Hyldon revisita memórias da juventude no blues “Fã do Sanduíche”
Hyldon - Foto:

Um dos nomes fundamentais da soul music brasileira, o baiano Hyldon apresenta o single “Fã do Sanduíche”, composição autoral em que revisita lembranças do início da carreira, quando deixou o interior da Bahia rumo ao Rio de Janeiro. Definida pelo artista como um “blues sertanejo”, a música mistura nostalgia e humor ao narrar experiências da juventude. “Dos despejos nem me lembro / Fiquei fã do sanduíche / Já sei andar correndo / E achar o amor tolice / Saudade da morena / Dos beijos e dos cheiros / Mingau de tapioca / Do pé de umbuzeiro…”, diz um trecho da letra.

Para a gravação, Hyldon reuniu músicos que fazem parte de sua trajetória. Entre eles está Maurício Einhorn, considerado um dos maiores gaitistas do mundo e já elogiado por artistas como Toots Thielemans. Aos 93 anos, Einhorn participa da faixa com sua gaita, instrumento que remete à gaitinha que Hyldon ganhou ainda aos quatro anos de idade, contribuindo para o clima nostálgico da canção.

Outro convidado é Alex Malheiros, parceiro de longa data do cantor, com quem trabalhou desde antes do álbum “Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda”. Os dois dividiram estúdios e palcos acompanhando nomes como Nara Leão, Raul Seixas, Erasmo Carlos, Wanderléia e Jorge Mautner. Malheiros também é conhecido por integrar o grupo Azymuth.

Completando o time de músicos está Paulinho Guitarra. “Nos conhecemos ainda garotos no Stúdio Somil, no Rio, durante as gravações do segundo álbum de Tim Maia. Nós dois ficamos responsáveis pelas guitarras — eu na base e ele nos solos. Paulinho é um fenômeno e, com 16 anos, já era o ‘Rei do Improviso’, um blueseiro nato”, relembra Hyldon.

O título da música também tem origem em uma memória pessoal. Criado em Senhor do Bonfim, no interior da Bahia, o cantor conta que não existia o hábito de comer sanduíches na cidade. “Nem a palavra a gente conhecia. Tudo era ‘pão com isso, pão com aquilo’. Só fui descobrir quando cheguei ao Rio, com as lanchonetes. Me apaixonei e virei fã de sanduíche. Daí veio o nome da música”, explica.