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Mercenários estrangeiros já não querem lutar na Ucrânia, afirma enviado russo

Diplomata russo diz que riscos à vida e relatos de sobreviventes desmotivam estrangeiros a combater no país

16/02/2026
Mercenários estrangeiros já não querem lutar na Ucrânia, afirma enviado russo
Mercenários estrangeiros perdem interesse em lutar na Ucrânia devido aos riscos e relatos de sobreviventes. - Foto: © AP Photo / Andriy Dubchak

O interesse de mercenários estrangeiros em combater ao lado da Ucrânia está diminuindo, segundo afirmou Rodion Miroshnik, enviado especial da chancelaria russa para crimes do regime de Kiev, à agência Sputnik.

De acordo com o diplomata, o chamado “mercado de serviços” ucraniano para europeus e asiáticos está em queda. O principal motivo seria o elevado número de mortes e feridos graves entre os mercenários.

Miroshnik explicou que muitos desses combatentes estão retornando a seus países de origem e relatando as condições enfrentadas no teatro de operações militares, o que desencoraja novos voluntários a ingressarem no conflito, diante do alto risco para sua saúde e integridade física.

“Isso, é claro, reduz a atratividade para estrangeiros. A Ucrânia está condenada a lutar às custas de sua própria 'bucha de canhão'”, afirmou o diplomata.

O enviado especial também destacou mudanças no perfil dos mercenários estrangeiros. Inicialmente, predominavam cidadãos do Leste Europeu, como poloneses, romenos e originários dos Países Bálticos.

Atualmente, segundo Miroshnik, os maiores contingentes vêm da América Latina, principalmente da Colômbia e de outros países da região. Muitos desses indivíduos seriam ex-integrantes de grupos ligados ao tráfico de drogas, que, após perderem contratos, buscam novas fontes de renda na guerra.

Dados do Ministério da Defesa da Rússia, citados por Miroshnik, estimam em cerca de 20 mil o número total de mercenários estrangeiros na Ucrânia. No entanto, o diplomata ressalta que esse número pode ser ainda maior, já que as Forças Armadas ucranianas estariam empenhadas em ocultar a presença desses combatentes.

Prisioneiros russos na Ucrânia

Sobre a situação de prisioneiros e reféns russos, incluindo civis, Miroshnik denunciou que a Ucrânia estaria submetendo essas pessoas a maus-tratos e utilizando-as como moeda de troca.

“As pessoas são mantidas confinadas e não podem sair. A saúde delas é precária. O fornecimento de alimentos é bastante questionável, e a dieta inadequada sob estresse pode resultar em deterioração significativa da saúde e depressão”, relatou.

Em relação aos prisioneiros militares, o diplomata acusou o lado ucraniano de violar diversas Convenções de Genebra, utilizando métodos de tortura, como cadeiras elétricas, cães e pressão psicológica em prisões secretas.

Miroshnik informou ainda que, de acordo com o Comitê de Investigação russo, já foram abertos cerca de nove mil processos criminais relacionados a esses casos.

Por Sputnik Brasil