RJ em Foco

Samu do Rio se torna referência nacional no treinamento para emergências com vírus ebola; entenda

Um material detalhando o protocolo de atuação vai servir de conteúdo educativo, em vídeos e cartilhas, para a preparação dos serviços de urgência e emergência em todo o Brasil

Agência O Globo - 03/07/2026
Samu do Rio se torna referência nacional no treinamento para emergências com vírus ebola; entenda
Samu

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) da Capital, coordenado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), é agora referência nacional na preparação para o atendimento e transporte de casos suspeitos ou confirmados de ebola. Esta semana, uma equipe do Ministério da Saúde esteve no Rio de Janeiro para documentar o treinamento realizado pela equipe fluminense. O material detalhando o protocolo de atuação vai servir de conteúdo educativo, em vídeos e cartilhas, para a preparação dos serviços de urgência e emergência em todo o Brasil.

Conheça quem são os suspeitos:

Unha e carne:

A equipe da área técnica de Comunicação de Risco e Engajamento Comunitário do Departamento de Emergências em Saúde Pública do ministério acompanhou simulações na sede da secretaria, na Zona Norte da capital, e na base do Samu no Centro da cidade.

Na Costa Verde:

— O material será compartilhado com todas as unidades da federação, como um processo educativo, contribuindo para a preparação das equipes de atendimento e de transporte de todos os estados para casos suspeitos de ebola. É uma atividade de formação e de preparação para o enfrentamento de um possível caso suspeito de ebola no nosso país, contribuindo na formação de profissionais da saúde em todo o território nacional — ressalta o diretor do Departamento de Emergências em Saúde Pública da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (MS), Edenilo Baltazar Barreira Filho.

O simulado tem o objetivo de exercitar as ações previstas em caso de emergência para contenção do vírus ebola, fortalecendo a capacidade de resposta das equipes e garantindo maior segurança aos profissionais envolvidos e à população.

— O Ministério da Saúde nos procurou para que os protocolos já adotados pelo Samu da capital possam servir de modelo para os demais serviços de urgência do país. Recebemos uma equipe técnica da área de comunicação de risco e engajamento para acompanhar como estruturamos nossas propostas e técnicas de contingência — explica a coordenadora-geral do Samu Rio, coronel Bárbara Alcântara.

A coordenadora-geral do Samu-RJ, a coronel Bárbara Alcântara, ressaltou que, embora as autoridades sanitárias apontem baixo risco de casos no país neste momento, a preparação antecipada é fundamental para garantir respostas rápidas diante de qualquer ocorrência.

— A Secretaria de Estado de Saúde se articulou, por meio do Samu, para que estejamos preparados para qualquer necessidade de transporte de casos suspeitos ou confirmados. Todas as técnicas que estamos utilizando foram construídas a partir dos protocolos desenvolvidos pela nossa própria equipe — disse a coronel Bárbara.

O treinamento é conduzido pelo Núcleo de Educação Permanente do Samu Rio, instituído em 2020 com a missão de promover capacitações contínuas e aprimorar a qualificação técnica dos profissionais do serviço. Para o gerente do núcleo, o enfermeiro José Henriques Marques Neto, a iniciativa representa um importante avanço na preparação das equipes para situações de alta complexidade.

— Tivemos a oportunidade de aprofundar essas ações e construir uma preparação mais técnica e consistente. Isso tem relação direta com a segurança das equipes, da população e dos próprios pacientes envolvidos nesse contexto. É um desafio que ainda gera dúvidas e preocupações, mas temos avançado de forma bastante produtiva e abrangente dentro do que se pensa sobre esse tema — avalia.

Treinamento em biossegurança:

Em junho, o Samu-RJ deu início a um plano de contingência para transporte de pessoas com quadro suspeito de ebola. Equipes que atuam no serviço na capital fluminense passaram por treinamento de biossegurança, seguindo protocolo do Ministério da Saúde. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde e a Fundação Saúde, gestora do serviço, o objetivo é assegurar que qualquer pessoa com suspeita de infecção pelo vírus receba atendimento adequado, com máxima proteção para pacientes, profissionais de saúde e população.

Trem de Prata:

A capacitação incluiu orientações para o uso correto de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como máscaras, protetores faciais, luvas, aventais impermeáveis e macacões de proteção, além da preparação correta das viaturas. O treinamento foi realizado por profissionais do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), da Fiocruz, com orientações do Ministério da Saúde.

'Procuro relacionamento sério':

De acordo com a coordenadora-geral do Samu-RJ, Bárbara Alcântara, equipes de ambulâncias passaram por treinamento específico de paramentação e de desparamentação, com foco no uso correto dos EPIs, conforme as normas de biossegurança.

Operação da PM na Cidade de Deus:

— A segurança é fundamental não apenas para o paciente transportado, mas também para os profissionais envolvidos na assistência. Por isso, investimos continuamente em capacitação, educação permanente e no cumprimento rigoroso de todas as normas de biossegurança previstas para esse tipo de atendimento — disse Bárbara.

Para garantir uma resposta rápida, duas ambulâncias foram posicionadas em pontos estratégicos da cidade: uma na região central e outra na Zona Oeste. Os veículos foram adaptados e preparados exclusivamente para esse tipo de transporte, seguindo recomendações técnicas e protocolos internacionais.

O plano também prevê a integração entre a Central de Regulação, o Transporte Inter-hospitalar e a Comissão de Controle Pré-Hospitalar do Samu-RJ. O Ministério da Saúde reitera que o risco de transmissão da doença no Brasil é considerado baixo, mas é preciso que as secretarias de Estado de Saúde e unidades de referência estejam preparadas para eventuais respostas às situações que demandem atendimento médico e diagnóstico laboratorial.