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Polícia aguarda perícia em celulares de parentes de menino envenenado na Baixada

Arthur, de 11 anos, morreu após 11 dias internado em Nova Iguaçu; exames apontaram substâncias tóxicas no organismo

Agência O Globo - 25/06/2026
Polícia aguarda perícia em celulares de parentes de menino envenenado na Baixada
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Policiais da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) aguardam o resultado da perícia realizada nos celulares de parentes de Arthur, de 11 anos. O menino morreu no último dia 11, após permanecer internado por 11 dias no Hospital Estadual Ricardo Cruz (HerCruz), em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Embora a causa da morte tenha sido registrada como broncopneumonia, exames toxicológicos identificaram no organismo da criança a presença de lidocaína, um anestésico; midazolam, sedativo; e terbufós-sulfóxido, agrotóxico utilizado em plantações. Os achados reforçam a suspeita de envenenamento e devem orientar os próximos passos da investigação.

Os aparelhos foram recolhidos na última sexta-feira e pertencem ao pai, à mãe, à madrasta e ao padrasto de Arthur. No mesmo dia, a polícia também realizou o mapeamento da possível cena do crime com uso de scanner a laser, além da coleta de material genético para análise.

A DHBF busca reconstruir os últimos dias de vida do menino e esclarecer como as substâncias chegaram ao organismo dele. Uma das hipóteses investigadas é a de que Arthur tenha ingerido um pedaço de bolo que poderia estar contaminado.

De acordo com relato apresentado pelo advogado Luiz Almeida, que representa o pai da criança, Ademir Mello, Arthur morava com o pai e a madrasta desde março deste ano. Antes disso, o menino havia passado um período na casa paterna entre novembro de 2025 e fevereiro deste ano, durante as férias escolares, retornando em seguida para a residência da mãe.

Ainda segundo a versão da defesa do pai, a própria mãe teria procurado Ademir para pedir que o filho voltasse a morar com ele, alegando que o convívio na residência dela não estaria funcionando bem. Desde então, Arthur permaneceu na casa do pai, mantendo visitas à mãe nos fins de semana.

No último fim de semana em que esteve com a mãe, a previsão inicial era que o menino retornasse à casa do pai no domingo. No entanto, como haveria uma reunião escolar na segunda-feira, a mãe o levou diretamente para a escola. Após as aulas, Arthur seguiu de ônibus para a casa do pai.

Imagens de câmeras de segurança já obtidas pela investigação mostram o garoto chegando ao imóvel por volta das 18h20. Na residência estavam o pai, a madrasta, o meio-irmão de 4 anos e, pouco depois, chegaria a enteada da madrasta, de 9 anos.

Segundo o advogado, ao chegar em casa, Arthur teria contado ao pai que o padrasto havia dito que deixaria sua mãe caso ele voltasse a morar com ela. Ademir, conforme a defesa, teria orientado o filho a não se preocupar com a situação.

Pouco depois, enquanto o pai saiu para buscar a enteada no reforço escolar, a madrasta teria mexido na mochila do menino e encontrado um pedaço de bolo de chocolate. De acordo com a defesa, o alimento chamou atenção porque estava guardado sem recipiente, entre roupas dobradas. A madrasta teria telefonado para o marido para avisar sobre o bolo.

Ainda conforme o relato do advogado, Arthur acabou comendo o pedaço de bolo e teria dito ao pai que a mãe havia guardado o alimento para ele, pois o menino teria passado mal no sábado e no domingo e, por isso, não teria conseguido comer durante uma festa. Segundo a defesa, o pai de Arthur nem chegou a ver o bolo.

Mais tarde, a família jantou macarrão com carne moída. O mesmo alimento foi consumido pelos demais moradores da casa.

Horas depois, por volta das 23h, o menino começou a apresentar os primeiros sintomas. Conforme a versão do pai, Arthur passou a vomitar, teve episódios de diarreia e demonstrou confusão mental, falando frases sem sentido.

Arthur foi levado para atendimento médico e, posteriormente, transferido para uma unidade de maior complexidade, onde permaneceu internado até a morte. A investigação segue em andamento.